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Pai-Amigo |AGOSTO

Com frequência escutamos esta adjetivação dos pais como sendo uma das coisas mais importantes: pai amigo. Contudo, sempre tive uma certa dificuldade para aceitar esta colocação.
Não acredito que os pais devam ser amigos. Eles devem ser o que são: pais.

A questão é entender o que é ser pai e o que é ser amigo. E isso é bastante difícil. Eu mesmo levei muitos anos para descobrir essa diferença e, exatamente por não tê-la feito antes, confesso ter cometido muitas bobagens.

Explicando melhor: o amigo é alguém que entra em nossa vida por acaso, numa circunstância especial. Ele não era meu amigo, ele se tornou meu amigo.

A relação de amizade não é obrigatória. E, por ser opcional, assume vínculos extremamente próprios, inexistentes em qualquer outra relação. A amizade pode surgir num encontro, onde uma pessoa sente uma grande empatia pelo outro. Daí em diante esta relação vai se aprofundando, podendo tornar-se extremamente forte, chegando até mesmo a grandes sacrifícios pelo amigo. Por outro lado, a relação de amizade, mesmo chegando a extremos, não implica em perenidade. Não são poucas as grandes amizades que se acabam, por vezes não deixando nem saudades. E não se pode criticar alguém porque deixou de ser amigo de outrem. Amizade, repetimos, é opção. E, como tal, é impermanente. Pode ser extremamente fiel e duradoura, como pode terminar, definitivamente. Sem qualquer problema.

Ser pai, é muito diferente. Primeiro, não é uma escolha pessoal.
O pai não escolhe os filhos nem os filhos escolhem os pais.
Acontece. Mas é uma relação definitiva. Questão de DNA.

Contudo, a relação do pai com o filho, é muito maior do que a do filho com o pai. E isso acontece porque, não tendo havido escolha, houve porém o desejo do pai de ter o filho. Falo de uma sequência normal de acontecimentos e não de gravidezes "por acidente" ou violência. Se tomamos existência no momento em que um espermatozóide fecunda um óvulo, portanto por escolha do casal de serem pais, por parte do filho não há uma escolha.
Nem o filho escolheu aqueles pais, nem os pais aquele filho específico. Ele aconteceu.

Por isso mesmo há filhos que rejeitam os pais, porém os pais sempre acolhem os filhos. Pelo menos os que foram desejados.
Rejeitar, só mesmo quando o comportamento dos filhos extrapola a todos os limites do tolerável. Mas, ainda assim, com direito ao perdão dos pais e sem a perda da paternidade, que nunca se extingue.

Os pais, por terem gerado seus filhos, têm obrigações para com eles. E, quase sempre procuram cumpri-las. Alguns as ultrapassam. Estas obrigações são as de alimentar, criar, educar e prover a sua subsistência, até que eles tenham condições para se proverem. Isso não significa que devem sustentá-los por toda a vida, se os filhos não se cuidarem - ou cuidarem mal - para se tornarem independentes. Existem alguns filhos que, em suas fantasias acreditam que poderão "curtir" a vida sem maiores preocupações pois seus pais se encarregarão de pagar suas despesas para sempre. Se isso acontecer, será uma distorção de caráter, dos filhos e até mesmo dos pais!

O grande diferencial entre pais e os amigos está na educação.
Cabe aos pais educar seus filhos, não importa que idade tenham.
E esta tarefa hercúlea, quase sempre é mal compreendida.
Chega-se a dizer que os verdadeiros pais não são amigos pois fazem exigências e restrições. E, realmente, pai não é amigo. É pai. E como tal tem de enfrentar todas as resistências, desagradar, dizer "não" quando isso se faz necessário, e sempre colocar limites. Coisas que o amigo, por mais amigo que seja, não tem a menor obrigação de fazer. Se o fizer, por se considerar um amigo especial, corre o risco de comprar uma briga e perder aquele amigo.

O pai não tem de, nem pode ter medo de desagradar. O que deve ser feito, faz.

Amigos tratam-se mutuamente de igual para igual. Pais e filhos podem e devem ser cordiais. Os pais devem - e sempre o fazem - acolher seus filhos nas dificuldades. Mas não necessariamente da maneira que eles querem, nem os apoiando nos seus erros. E, o que é pior, assumindo as consequências das besteiras dos seus filhos e até pagando por elas. Só assim ele será verdadeiramente um PAI e não um formador de marginais ou pessoas inconsequentes.

Por isso, repetimos, pais são pais. Amigos são amigos. E ambos, bem diferentes entre si.

Evaldo A. Assumpção - Médico e Tanatologista
Do Jornal Opinião (BH)



Oração

D
eus, nosso Pai,
Nós te rendemos graças
peia família que nos deste.
Tu nos ofereces o teu amor
com o qual criaste cada vida,
e com o qual cuidas de cada
pessoa humana.
Nós te suplicamos. Pai,
que sejam cada vez mais intensas
as relações de afeto e diálogo
dentro das famílias.
Que a tua imagem de Pai
seja presente-presença em todos os lares,
sendo cada pai tua imagem fiel.
Que em todas as famílias
haja amizade fraterna,
convívio amoroso,
partilha de dons,
respeito e perdão sinceros.
Pai, que as nossas famílias
se assemelhem cada vez mais
ao ideal de comunhão que nos deixaste
por meio de teu Filho Jesus.
Nós te pedimos, ó Pai,
que derrames tua bênção
sobre todos os pais
neste dia, que é tão deles
quanto nosso, de filhos.
Amém.

WilmaDias
 
 
 

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