- “Ecologia, vida e política”
Quando refletimos sobre a importância da consciência ecológica na conduta do Cristão, percebemos que nem sempre damos a esse tema a prioridade que ele merece. Na maioria das vezes, essa questão fica, infelizmente, renegada a um segundo plano em nossas atividades pastorais e catequéticas.
Ao analisarmos a proposta de Jesus Cristo, muito bem explicitada no evangelho e claramente aprofundada no Concílio Vaticano II, perceberemos que o papel da Igreja (Igreja essa também constituída pelo povo de Deus) é ser elemento de transformação do mundo. A Igreja veio para o homem do mundo. Para que possamos, como muito bem nos ensinou o próprio Cristo na oração universal do Pai Nosso, “trazer a nós o vosso reino”. O Reino de paz, justiça, fraternidade e união. E é exatamente aí que percebemos o claro compromisso do sentido salvífico de Sua proposta: A preocupação constante com o próximo, com o seu bem-estar e a sua felicidade, como vemos na parábola do bom samaritano (Lc 10, 25-37).
Essa análise acerca da parábola do bom samaritano, facilmente nos remonta para questões fundamentais que asseguram o bem-estar do nosso próximo: “a nossa relação com o meio-ambiente”.
Será que realmente tratamos o nosso planeta de forma a permitir que os nossos irmãos, ou melhor, o nosso próximo tenha a garantia de um bem-estar e de uma vida com qualidade e dignidade?
Na Campanha da Fraternidade do ano que vem a CNBB tratará da questão do meio-ambiente e os impactos causados à vida em função do desrespeito ao ecossistema. Vejamos, por exemplo, a grave questão das garrafas de plásticos de refrigerante: será que as empresas que escolheram há 30 anos passar a utilizar garrafas plásticas “descartáveis”, que poluem e agridem o meio ambiente, em substituição às antigas garrafas de vidro retornáveis com o simples argumento de que o custo de logística para manusear esse modelo de “levar e trazer engradados de refrigerantes” era muito alto, agiram pensando no respeito à vida ou em simplesmente aumentar o seu lucro? Onde está o papel do estado e dos políticos frente a esse cenário de violência ao meio-ambiente e à vida? Essas garrafas plásticas não somente agridem a natureza como geram um imenso passivo ambiental e urbano, principalmente nas chuvas ao entupir as galerias pluviais e as redes de esgotos. É urgente e fundamental um debate público sobre essa temática. O planeta geme em dores de parto pela falta de sensibilidade política para essas e outras questões que impactam diretamente a vida e o bem-estar ecológico e ambiental.
Precisamos olhar para natureza e observar a beleza da criação divina como um exemplo perfeito de equilíbrio, cooperação e presença de Deus. Nós, seres humanos, precisamos observar esse comportamento para melhor entendermos a necessidade de preservar o amor de Deus, que se dá em abundância para nós através, por exemplo, dos frutos da terra.
Para finalizar, eu gostaria de deixar como sugestão de reflexão, o exemplo de vida da Irmã Dorothy Stang, assassinada em fevereiro deste ano. Ela, que morreu por pautar a sua vida no Evangelho, tinha como principal característica no seu trabalho junto aos colonos de Anapu-PA, a formação da consciência cidadã de preservação ambiental. Ensinava-os a tirar os frutos da terra para o seu sustento preservando sempre o meio-ambiente e a floresta.
Se tomarmos a sua atitude como modelo, nós estaremos, sem sombra de dúvidas, contribuindo para um mundo mais justo, fraterno e, conseqüentemente, Cristão.
Um grande abraço, a Paz de Cristo e vamos colocar sempre o “Bem Comum acima de tudo”.
Robson Leite
www.robsonleite.com.br
Email: feepolitica@terra.com.br
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