Queridos irmãos, aproveitemos esta oportunidade para refletirmos sobre a vocação cristã. Muitos de nós ou quase todos, sabemos que o batismo é a porta de acesso pela qual todo seguidor de Jesus Cristo deve passar. De fato, o Sacramento do Batismo é que confere a identidade do cristão, como se fosse a certidão de nascimento na fé. Todos nós, recebemos na igreja doméstica, na nossa família, o auxílio necessário e os primeiros ensinamentos, aprendendo com os pais a rezar o Pai Nosso, a Ave Maria e a oração ao Anjo da Guarda, enfim, na família é o lugar indispensável para o cultivo da fé cristã. Passam-se os anos, muitos se deixam levar pelas influências do mundo e acabam tomando outras direções, buscando ideais, mas o que foi plantado não se perde e continua meio que infrutífero dentro do coração, mas continua lá, bastando apenas um simples desejo para que tudo se renove e esteja pronto a frutificar.
O verdadeiro sentido da vida de um seguidor de Jesus só se concretiza quando ele vive sua fé em Comunidade, é nela que ele busca força e estímulo para por em prática o mandamento maior, deixado pelo Mestre: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado” (Jo 13, 34). Com o cumprimento deste ensinamento, o cristão traça a linha mestra de sua missão: ser um verdadeiro construtor da justiça, através do amor a todos os seres humanos, sem nenhuma distinção. Na busca incessante de cumprir este ideal, o seguidor do Senhor Jesus tem diante de si uma infinidade de serviços que pode assumir. Exemplificando melhor, alguns se sentem chamados a liderar uma comunidade como sacerdotes, ministrando os sacramentos e alimentando o povo com o Corpo e o Sangue de Jesus, caminhando lado a lado com os fiéis; outros se sentem tocados pelo forte apelo para se consagrarem à vida de oração e serviço, como é a vida dos religiosos e religiosas; há também aqueles que decidem constituir família e atuar como leigos no serviço à Igreja. Todos com certeza são muito amados por Deus na tarefa que realizam!
O Santo Padre, o Papa Bento XVI, nos exorta a permanecermos fiéis à vocação cristã e a não nos conformarmos à mentalidade deste mundo, como escreveu Paulo aos cristãos de Roma, mas a deixar-nos sempre transformar e renovar pelo Evangelho, para seguir o que é verdadeiramente bom e agradável a Deus. E assim nos convida, a sermos “pedras vivas”, unidos a Jesus, que é a “pedra viva”, rejeitada pelos homens, mas eleita e preciosa perante Deus. Queridos irmãos e irmãs, temos uma vocação que está muito acima dos nossos interesses comuns e egoístas, tanto quanto dista o céu da terra. De fato, não pode haver neste mundo vocação maior ou mais elevada, nenhum privilégio mais exaltado. É tão diferente, tão distinto do que o mundo considera ser grande e glorioso, que os cristãos ao despertarem para este fato, fiquem admirados, e, ao experimentarem essa realidade, fiquem encantados. Em vez de serem dirigidos pelo espírito do lucro e da vanglória, sejam autênticos filhos de Deus, espontâneos em doar. Em vez de quererem honra e elogios, humilhem a alma e considerem os outros melhores e mais merecedores que eles próprios. Isso é raro e revigorante! Que possamos ter um vislumbre dessa luz de origem celestial e verdadeiramente perceber o profundo significado dessa elevada vocação.
Não estamos aqui à toa! Precisamos ser amoldados a cada dia, como o barro nas mãos do oleiro, portanto deixemo-nos seduzir por este amor e sermos o que Deus quer e espera de cada um de nós, sem medo algum. Por fim, compreendamos que em hipótese alguma, seja lá o que for aspirado, nada é mais elevado, mais santo e mais enobrecedor do que ser um colaborador do Filho de Deus.
A vocação cristã não é exclusiva da hierarquia da Igreja, mas de todo batizado.
Não se esqueça, você e todos de sua casa são sempre chamados a fazer parte desta imensa família.
Um abraço fraterno!
Ricardo da Liturgia das 10h
ricardomoyses@globo.com
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