Carta aos Romanos (4)
Tema: O Evangelho
O Evangelho é o instrumental que a Carta aos Romanos propõe para nos edificarmos na fé. Basta observar a insistência com a qual é lembrado ao longo do Prólogo: 1o) Paulo “foi separado para o Evangelho de Deus” (1,1); 2o) “A Deus sirvo, no meu espírito, no Evangelho do seu Filho” (v.9); 3o) “Estou pronto para evangelizar” (v.15); 4o) “Não me envergonho do Evangelho, ele é força de Deus para a salvação” (v.16). Até quando fala dos escritos proféticos nas Escrituras santas diz: “que o Filho foi pré-evangelizado pelos profetas de Deus” (v.2). Para Paulo, a sua importância não se limita em ser a Boa Nova que anuncia a salvação, abrange a condição de Palavra da Verdade que produz, continuadamente, novos frutos quanto mais abundantemente ela habita em nós (Cl 3,16). Ela diz respeito a Cristo, o Mistério de Deus, isto é, a revelação única que somente o Filho poderia nos dar do Pai, mediante a sua pessoa. Paulo sintetiza e ilustra a sua grandiosidade com as palavras iniciais da sua apresentação: “... diz respeito ao Filho previamente evangelizado pelos profetas e que foi abertamente manifestado Filho de Deus com poder pela sua ressurreição”. Dessa forma, proclama Paulo, ele pode ser conhecido por nós pelas Escrituras, nelas anunciado na condição de Messias e Descendência de Davi, enquanto, pela sua ressurreição, é por nós conhecido na sua condição divina. O anuncio querigmático que encontramos na saudação é oportunamente desenvolvido por Paulo, conforme o exigem os temas que ele vai tratando, ao longo da sua carta. Dessa forma, em Rm 3, 21-26, nos explica a ação fundamental da manifestação do Filho de Deus em relação à salvação que alcançamos pela fé: ele é o Cristo que se manifestou na pessoa de Jesus, que nos remiu pelo derramamento do seu sangue. Em Rm 5,6-11, relaciona a redenção ao Plano do Pai que, na sua misericórdia, entregou o seu Filho à Morte, e declara todo o amor de Jesus por nós ao cumprir o desígnio do Pai. É na base deste conteúdo grandioso e solene que Paulo proclama o Evangelho de Deus, a Palavra da Verdade, “força de Deus para a salvação” (v.16) que, também “revela a justiça de Deus da fé para a fé” (v.17). De fato, nele se revela o Poder de Deus e a Sabedoria de Deus, enquanto anuncia a salvação que a Morte de Cristo realizou e o Senhor ressuscitado continuamente manifesta pelo seu Espírito santificador que faz passar os seus fiéis de glória em glória (2Cor 3,18).
É sobre esta Palavra da Verdade que Paulo quer refletir, juntamente com os fiéis da igreja de Roma, caso surja a oportunidade de estar com eles. A sua carta é uma antecipação desta atividade espiritual, que ele se prontifica a realizar, com um empenho singular de reflexão para poder oferecer, de antemão, algum fruto espiritual que possa consolar (gr.: sunparacaletenai) os que, em Cristo Jesus, ama de todo coração, na condição de apóstolo dos gentios. Ele tem consciência que , à semelhança dos outros apóstolos e profetas, é capaz de uma compreensão única do Mistério. Por causa disso, entendemos que o seu ensinamento nutre todo e cada fiel que dele se aproveita, através da leitura do seu escrito. Mais tarde, na sua Carta aos Colossenses, tornará ainda mais evidente a sua convicção acerca do Evangelho de Deus ao ilustrar mais detalhadamente o conteúdo do Mistério de Deus que é Cristo (Cl 1,25-27). Ele é a riqueza da Glória que nos é sempre mais comunicada pelo Senhor da Igreja, em quem estão todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (2,3). Por esta ação, a justiça que nos mereceu pela sua Morte de Cruz, se revela da fé para a fé. Isto é, conseguimos viver a justificação pela fé naquele que é, também, a esperança da Glória. Nesse processo de santificação, Cristo Jesus ter-nos-á levado a uma condição de esperança que não será confundida pela certeza que estará em nós, em virtude do Espírito Santo, de termo-nos tornado herdeiros da vida eterna.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Em que sentido toda Bíblia é o Evangelho de Deus?
2ª) Por que o Evangelho é “força de Deus para a salvação daquele que crê” (Rm 1,16)?
3ª) O que significa que o “justo vive de fé” (Rm 1,17)?
Pe. Fernando Capra/CRSP
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