“O Neoliberalismo e a ganância do homem. O grande obstáculo de uma nova sociedade construída pela cidadania ativa”
Adam Smith pai do liberalismo econômico e um dos criadores das teorias que fundamentam o que chamamos hoje de neoliberalismo pregava que o egoísmo seria a mola propulsora de um novo modelo econômico, onde as pessoas, impulsionadas apenas pelo seu “auto-interesse” em lucrar e comprar, consumiriam cada vez mais e, assim, através da livre competição entre as empresas, gerariam empregos, rendas e bens produzindo um grande “bem-estar social”. Anos mais tarde, a única coisa que esse modelo promoveu foi concentração de riquezas, pobreza, miséria, desemprego e fome. Principalmente, e de modo muito peculiar, nos países de terceiro mundo.
A grande questão que fica é como esse modelo conseguiu durar tanto tempo e produzir tantas injustiças chegando ao seu ápice na crise do final de 2008?
Ao longo dos anos, a falsa idéia de que o acúmulo de bens e riquezas seria a garantia da felicidade institucionalizou-se no mundo neoliberal. Dinheiro, riquezas, carreiras e sucesso são o símbolo da “perfeita alegria” do capitalismo e a simbologia do “status” a ser alcançado por todos que vivem nesse modelo social. A falsa liberdade de consumo comprar o que quiser permeava e ainda permeia o sonho de tantos que vivem nessa ilusão. A televisão e os demais meios de comunicação tornaram-se os grandes responsáveis por fabricar “sonhos de consumo” e, consequentemente, uma falsa felicidade: carros de luxo, viagens inesquecíveis e aparelhos domésticos supersofisticados são a medida de riqueza e de competição nessa sociedade. Basta observar quantos comerciais de carros luxuosos e inalcançáveis financeiramente para mais de 90% da população são vieiculados em horários populares na televisão brasileira. Com qual objetivo?
Despertar, cada vez mais, o desejo de consumir e “prosperar” mesmo naqueles que jamais conseguirão comprar o carro do anúncio. Em contrapartida, todos os instrumentos que poderiam questionar, atrapalhar ou contrapor o capitalismo tais como sindicatos, associações de moradores, movimentos de luta pela reforma urbana e demais movimentos sociais que se colocam como opções para construção de uma cidadania ativa são esvaziados através das mais perversas maneiras. Por exemplo, qual empregado que sonha em crescer e prosperar na sua empresa que cometeria a “loucura”, segundo a lógica capitalista, de participar da vida sindical em sua profissão? Certamente, esse engajamento aborreceria muito aos seus patrões que, entre um não sindicalista e um sindicalista, optariam pelo primeiro em detrimento ao segundo na escolha de “quem será promovido”.
O Cristão tem um compromisso fundamental e inadiável com a construção do Reino aqui na terra. E esse Reino é fundamentado na partilha e na justiça, conforme vemos no Evangelho de São Mateus capítulo 19 versículo 16 a 25 quando um jovem pergunta a Jesus o que fazer para ganhar a vida eterna. Ele diz para que esse jovem venda tudo o que tem e dê aos pobres. Na conclusão desse Evangelho, Jesus, frente à incapacidade do jovem vender tudo o que tinha por ser muito rico, afirma: “é mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”.
Outro exemplo que fundamenta o rompimento da proposta de Cristo com o acúmulo de bens e riquezas proposto pelo capitalismo é a concreta experiência das primeiras comunidades cristãs. O livro dos Atos dos apóstolos (Capítulo 2, versículos 42-47; Capítulo 4, versículos 32-37; Capítulo 5, 12-16) deixa isso muito claro. “... vendiam suas propriedades e seus bens e, repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um”; “... mas tudo era posto em comum entre eles”; “... entre eles ninguém passava necessidade”. O quanto distantes estamos dessa realidade no mundo moderno?
Precisamos romper definitivamente com esse modelo nefasto pautado no egoísmo do capitalismo. E esse rompimento começa em casa ao refletirmos sobre os valores que passamos aos nossos filhos. O que é mais importante? A carreira ou a presença em casa com eles? E sobre a carreira que eles pretendem escolher: ensinamos a escolher baseada em dinheiro e na competição ou temos a coragem de sugerir que escolham de acordo com a sua vocação?
Outro aspecto decisivo é a valorização dos sindicatos e dos movimentos que coletivizam as ações em nossa sociedade tais como associações de bairros e conselhos municipais. E essa valorização passa, sobretudo, pela nossa participação ativa nelas. Somente assim é que conseguiremos, efetivamente, construir o novo mundo possível e prometido pelo Cristo em seu Evangelho.
Um grande abraço, a Paz de Cristo e vamos colocar sempre o “Bem Comum acima de tudo”.
Robson Leite
www.robsonleite.com.br
Email: feepolitica@terra.com.br
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