Apocalipse (12)
As condições da Igreja no mundo (10-13)
A análise das sete trombetas nos esclareceu acerca de um dos motivos da demora de Deus em destruir a Cidade terrena: Deus, na sua paciência, espera pela conversão dos homens. Há, contudo, um segundo motivo. Depois de ter Deus tirado do Antigo Israel a função de anunciar o evangelho da salvação e de tê-la entregue ao Novo Israel, a Igreja, enquanto não se completa o número dos seus mártires, tem a missão de “profetizar contra muitos povos, nações e reis” (10,11). Isto não acontece sem sofrimentos, embora Deus proteja os seus profetas pelo tempo em que dura a sua missão. Terminada esta, serão mortos pela Cidade terrena. É algo que Deus permite porque quer glorificar os seus profetas associando-os à Morte de Cruz de Jesus Cristo. De fato, após o breve tempo concedido ao perseguidor, os profetas serão glorificados e a Cidade terrena ruirá com a morte de todos os seus habitantes (Ap 11). Da mesma forma que os profetas sofrem perseguições, a Igreja, como um todo, também sofre, atacada pelo Maligno. Aqueles que o vencem no Sangue do Cordeiro conhecerão o triunfo. Será como quando a mulher sofre as dores do parto. Depois de breve tribulação, ela se alegrará (Jo 16,21). Assim será da Igreja destinada a ser a Esposa do Cordeiro. Aparecerá no céu como uma Mulher vestida de sol, com uma coroa de doze estrelas na sua cabeça e a lua sob os seus pés (12,1). Essa sua condição gloriosa só acontecerá se os seus membros não aceitarem submeter-se aos desmandos dos reis da terra que querem ser adorados como deuses. Por causa disso, chegam até a matar os que recusam oferecer a sua adoração às suas estátuas ou à de deuses pagãos. Era o que pretendiam Nabucodonosor e Antíoco IV Epífanes, como lemos no livro de Daniel. Aos reis da terra se aliam os mágicos que querem obrigar os habitantes da terra a ter na sua fronte o nome da Besta. A análise teológica que João faz da história é apresentada em linguagem simbólica que atinge, particularmente, do profeta Daniel. Desde o início do Apocalipse, João, ao descrever a visão do Filho do Homem, se inspira nele.
Mas é em Ap 13 que se torna evidente a sua utilização de tal forma que não é possível a interpretação do texto de João sem ter presente o seu escrito. João se vê na mesma condição do profeta que de Deus recebeu o dom do espírito de sabedoria e revelação e entende que é pelas Escrituras que pode conhecer o sentido da história. Pode até aumentar a sua confiança em Deus sabendo como Deus já veio em socorro de Daniel e de seus companheiros, contemplando em Jesus Cristo a realização da figura de Gabriel, por sua vez relacionado ao Filho do Homem de Ez 1. Pela teologia da história de Daniel é possível ter uma visão clara da História da Igreja. Os reis da terra, na sua ambição desmedida, se arvoram a deuses e perseguem, ajudados por falsos profetas, quem não presta adoração às suas estátuas. Deus permite os seus desmandos e até que uns deles persigam a Igreja, porque quer levar a termo a glorificação dos seus santos.
No fim dos tempos, quando o tempo do perseguidor chegar ao fim, e ele tem um tempo limitado, Babilônia conhecerá a destruição enquanto os servos de Deus serão glorificados.
Perguntas para uma reflexão:
1°) Por quais motivos Deus protela o seu julgamento do mundo?
2°) Por que Deus permite que os seus profetas sejam perseguidos?
3°) Segundo qual livro do AT se estrutura o Apocalipse?
Pe. Fernando Capra/CRSP.
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