“VOCAÇÃO É RECONHECER OS DONS QUE NOS FORAM DADOS E, INTENSAMENTE, QUERER COLOCÁ-LOS A SERVIÇO DE DEUS NA PROMOÇÃO DA VIDA, E VIDA EM ABUNDÂNCIA”
Por ocasião de sua conversão, o apóstolo Paulo fez ao senhor uma importante pergunta:
“Senhor, o que devo fazer?”. Aqueles que por esta realidade são interpelados, sem dúvida, são possuidores de uma consciência que, à luz do Espírito de Deus recebido no Batismo, fonte de toda vocação, paulatinamente se percebeu como servidora no trabalho de evangelização.
Deveria estar presente no coração de cada um de nós, discípulos e missionários de Jesus, a mesma inquietação. A Paulo, Deus não responde de imediato o que deveria fazer, apenas lhe diz: “Vai”.
Na sua caminhada da fé, ele se viu possuidor de um dom total de Deus, de uma ação divina que perpassava toda a sua realidade e o tornava magistralmente apto no serviço do Reino. Os chamados e enviados por Deus são por ele capacitados no dom do seu Espírito, cabendo-lhes estar sempre escutando os pequenos sinais desse mesmo Espírito, que, no decurso da vida de cada um, indica os dons, o fio condutor e o sentido último da existência.
É nesse sentido que podemos compreender a o que é a vocação.
É diante do chamado de Deus, da nossa resposta e da nossa caminhada de fé junto às comunidades eclesiais, reconhecer os dons que nos foram dados e, intensamente, querer colocá-los a serviço de Deus na promoção da vida, e vida em abundância.
O mesmo Apóstolo nos adverte em suas cartas que, embora seja um, o Senhor, há uma diversidade de dons e, conseqüentemente, uma diversidade de modos de servir. A cada um é dada a manifestação do dom em vista do bem de todos. A graça recebida no batismo é que nos faz pertencer a Cristo, ao seu corpo místico. É ela que rompe em nós qualquer pretensão de exclusividade no exercício da missão, e que nos coloca unidos na construção de uma Igreja a serviço do Reino.
O que importa, com isso, em primeiro lugar, não é ser bispo, padre, freira, diácono ou leigo. Importa ser discípulo de Jesus. A vocação é, assim, antes de tudo, chamado para o seguimento de Cristo que é Caminho, Verdade e Vida, colocando nossos dons particulares a serviço de todos. A descoberta de nossos dons coincide com a descoberta de nossa vocação e, no exercício da oferta deles para o bem dos outros é que tomamos consciência do que fazer diante da realidade desafiadora de nossos tempos e, desse modo, junto com todos os de boa vontade, nos tornar capazes de ajustá-la no percurso certo que nos leva ao Pai.
Giovanni Wanderlei Pereira Souza
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