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Cristologia (22) - O Cristo do Apocalipse (III)

O Cristo do Apocalipse é uma figura amadurecida e ditada pelo amor profundo que João sente pelo seu Mestre. O fundamento da teologia da Pessoa daquele que, em virtude da sua vitória sobre a morte é, agora, Senhor, é sempre a experiência histórica que dele o apóstolo teve. Aliás, é ela a motivação do hino que a Igreja na terra eleva ao seu Senhor, juntamente com a Igreja celeste: "Àquele que nos ama e que nos lavou dos nossos pecados com o seu sangue, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos" (Ap 1,5s). Nessa linha, a primeira característica que João lembra de Jesus é aquela de ter sido a 'Testemunha fiel'. Assim é celebrado o Senhor da Igreja em cada primeiro dia da semana. Mas, porque se tornou Senhor, ele é, também, o Filho do Homem que venceu e que, portanto, está sentado no trono da majestade com o Pai. Em Jesus glorificado se realiza a figura da Glória de Iahweh de Ezequiel. Nessa condição, no céu, recebe, com o Pai, a mesma adoração e, em relação à Cidade terrena se torna o Juiz que a condena. A figura do Filho do Homem e do Cordeiro se identificam. De fato, quem lida o culto das Igrejas aos domingos é o Filho do Homem descrito com as prerrogativas régias e sacerdotais e a sua condição de Deus; quem ceifa e esmaga os maus é ainda o Filho do Homem, o mesmo que, na condição de Cordeiro imolado, na sua ira destrói a Cidade terrena. Jesus é a Glória de Iahweh, o Filho do Homem que julga a História e o faz com a sentença que pronuncia do alto da Cruz: 'Está consumado'. É o Servo de Iahweh que, glorificado por ter dado a sua vida em resgate de muitos, vinga os seus mártires destruindo definitivamente a Cidade das nações. O julgamento já está em ato, o que é de grande consolo para os fiéis chamados a suportar uma tribulação superior às suas forças. E eles têm o Senhor que os admoesta pelo seu Espírito enquanto acena à recompensa destinada àqueles que ouvem o que o Espírito diz às igrejas: a árvore da vida, a coroa, o nome na pedrinha branca, a Estrela da manhã, a veste branca, a morada no Templo do céu, o trono do Pai. Na condição de Cordeiro, Jesus desposará a Igreja, tornada a Nova Jerusalém, revestida de linho resplandecente.

O ápice da condição gloriosa de Jesus Cristo, Senhor da Igreja é apresentado pelo título de Verbo de Deus (19,13), que inspirará, mais tarde, o prólogo do Evangelho de São João. De fato, tudo o que diz respeito a Jesus Cristo está resumido na alegoria do Cavaleiro que vem montado sobre um cavalo branco, com a espada da verdade, a coroa com muitos diademas, o manto embebido de sangue, o nome de 'Verbo de Deus' inscrito na sua coxa. Ele esmaga as nações com seu cetro de ferro e as entrega em pasto às aves do céu.

Num crescendo que partiu da condição humana de Jesus Cristo, a 'Testemunha fiel', Jesus foi, aos poucos se revelando o 'Primogênito dentre os mortos', esperança dos que morrem por causa da Palavra, e 'Príncipe dos reis da terra', porque o Pai lhe entregou o poder de julgar. A sua condição divina que o título 'Verbo de Deus' ilustra de forma única, porque o representa como a Palavra criadora, a Sabedoria, desde sempre voltada para o Pai, a 'Expressão do seu Ser' (Hb 1,3), se desdobra nos títulos de Filho do Homem e Cordeiro que ilustram a condição de Jesus como Verbo de Deus que se fez carne e que deu a sua vida sobre a Cruz. Pela sua Morte consagrou o Templo que está no céu, onde entram os que praticam a justiça, e condenou os maus ao lago de fogo.

Cada comunidade local está em condições de celebrar todos esses mistérios e renovar a sua vigilância, na expectativa da vinda do seu Senhor, a cada domingo, meditando a Profecia e fazendo memória daquele que esteve morto mas que agora está vivo e tem as chaves da Morte e dos Hades.

Perguntas para uma reflexão:

1ª) Por que João começa a celebração do Senhor com o título de "Testemunha fiel"?

2ª) Qual é a função do Senhor, na condição de Filho do Homem-Glória de Iahweh, em relação ao mundo?

3ª) Por que o título de "Verbo de Deus" é o ápice do reconhecimento de Cristo Senhor?

Pe. Fernando Capra/CRSP

 
 
 

VEJA NO MÊS DE AGOSTO/2007:


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