Cristo Redentor (13) - A Glória de Iahweh
Marcos
é muito claro em identificar Jesus com a Glória de Iahweh. De fato,
vê em João Batista, o precursor do Senhor, a voz que grita no deserto,
a mesma voz que anunciava a Glória de Iahweh, quando da volta do Resto
de Israel da escravidão da Babilônia. Apresentava-se, então,
um Deus cheio de ternura e, ao mesmo tempo Criador e Senhor da História
(Is 40), que proclamava que toda culpa tinha sido esquecida e que o Santo voltaria
a habitar no meio do seu povo. A exultância que tomou conta de Isaias é
agora a nossa exultância, à qual nos convida a pregação
apostólica. Em Jesus ressuscitado manifestou-se abertamente o Filho de
Deus, "com poder, em Espírito de Santidade" (Rm 1,4). Aquele
que não reteve ciosamente, para si, "o ser igual a Deus, mas humilhou-se,
assumindo a condição de servo, feito obediente até à
morte... recebeu um nome que está acima de todo nome, para que todo mundo
proclame, Jesus Cristo é Senhor!" (Fl 2,6-11). Em Jesus está
o Deus que "visitou o seu povo", trazendo consigo todos os benefícios
da divindade. A Glória de Iahweh manifestara-se ao povo de Israel mediante
os prodígios que Deus operara ao longo da sua História, a partir
da libertação da escravidão do Egito, e que tinha a sua ainda
maior manifestação na volta da escravidão da Babilônia,
considerada como o gesto divino de uma nova criação. Em Jesus, ela
se revela visível na Palavra que se faz carne e que conduz a Humanidade,
assumida pela Encarnação, à Glória do céu,
pela ressurreição e ascensão. Para os Apóstolos, Jesus,
desde a sua origem, ao nascer de Maria, concebido por obra do Espírito
Santo, é essa Glória do "Unigênito do Pai, cheio de graça
e de verdade" (Jo 1,18), que viveu entre nós e se manifestou através
dos seus gestos, último dos quais foi a sua Ressurreição.
Jesus é, realmente, Aquele que se fez, em tudo, igual a nós, exceto
no pecado, que acabou realizando em si a figura do Filho do Homem de Ez 1,26-28,
segundo a descrição de Dn 10,5s. Ele é, então, o Deus
que julga a História, igual, em dignidade, ao Pai, que, em virtude da sua
imolação de Cruz, fez de nós "um reino e sacerdotes
para Deus" (Ap 1,6). Na condição de Filho do Homem glorificado
é o Senhor das igrejas que admoesta com o seu Espírito. Esse é
o conteúdo da pregação dos Apóstolos e o motivo da
nossa exultância. A Glória de Iahweh se manifestou na pessoa do filho
de Maria. Aquele que se tornou participante da nossa humanidade, tendo vivido
em perfeição a vocação do adão que Deus criara
à sua imagem e semelhança, pela sua obediência até
à morte e morte de Cruz, nos tornou participantes da sua divindade. Nós
somos "filhos no Amado" (Ef 1,6). Somos filhos de Deus.Por nós,
Jesus pediu ao Pai que nos tornássemos participantes da Glória que
era sua desde a criação do mundo (Jo 17,24).
Perguntas
para uma reflexão:
1ª) De que forma o evangelista Marcos
compara Jesus com a Glória de Iahweh da qual fala Is 40?
2ª)
Quais são os feitos de Jesus-Glória de Iahweh, que tem suas figuras
proféticas na libertação do Egito e da Babilônia?
3ª)
Quando, em Jesus, a figura do Filho do Homem se identifica com a Glória
de Iahweh?
Pe. Fernando Capra/CRSP
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