Separações
Hoje,
11 de julho de 2005, dia em que escrevo este artigo, perdemos uma grande amiga.
Fui avisado há poucos minutos que a Beth do Luiz faleceu nessa tarde. Ela
já não era a Beth do Luiz, por razões próprias do
casal, eles já não estavam mais juntos e nem assim ela deixaria
de ser minha amiga como de várias outras pessoas e não vou aqui
discutir essa questão. Ela faleceu deixando um casal de filhos lindos e
vai deixar muitas saudades e acredito que alguns daqui do Loreto também
venham a sentir este mesmo sentimento, mas de uma forma velada vão se manter
à parte, tudo porque guardamos no quartinho dos fundos da nossa consciência
uma caixinha com nossos preconceitos e um casal separado no Loreto faz parte desse
tenebroso guardado.
Muitos que eram amigos do Luiz e da Beth se afastaram
porque eles deixaram de ser um casal, assim como que individualmente eles não
existissem. Posso estar falando besteira para alguns, mas no fundo sabemos o quanto
isso é verdade. Aceitamos essa situação na escola, no trabalho
e na sociedade como um todo, mas aqui dentro ficamos meio divididos entre um e
o outro e preferimos nos afastar, como se a nossa opinião tivesse alguma
finalidade num lance tão intimo. O cara separou, e daí? O máximo
que posso fazer é lamentar e infelizmente fica só nisso.
É
comum ficarmos sem ação diante desta situação, talvez
passe por nossa cabeça a idéia de que procurando um lado ou o outro,
estaremos nos comprometendo e tomando partido desse ou daquele.
Até
mesmo falar em divórcio nos deixa constrangidos e receber uma pessoa separada
nos deixa numa tremenda saia justa. Na boa, somos muito cretinos nisso tudo.
Será
que um amigo deixa de ser amigo porque se separou? Aquela amiga que sempre
freqüentou sua casa, agora que está separada deve deixar de freqüentar?
Passa a valer menos uma pessoa que terminou seu casamento? Sei lá, acho
que somos muito mesquinhos diante disso e nos esquecemos de que ninguém
casa para se separar, ninguém em sã consciência faz isso por
puro prazer. É preciso rever nossos conceitos, é preciso repensar
nossa sociedade loretana, pois não foi isso que Jesus nos ensinou, mas
de uma forma ou de outra crescemos olhando para esses acontecimentos de forma
distorcida.
Faz algum tempo que eu queria escrever sobre esse assunto,
- casais separados mas de uma forma preconceituosa tive medo. Era como tocar
em casa de marimbondos e eu achei que não teria pique para segurar a onda.
Hoje, com o falecimento da Beth me toquei que de uma forma velada me afastei dela
e do Luiz e assim também o fiz com outros amigos que se divorciaram. Não
é fácil admitir meu lado preconceituoso, talvez me falte um pouco
mais de humildade, mas quero, agora em público, pedir perdão por
essa atitude tão pequena.
Que a Beth receba de Deus a Sua proteção
em seu descanso eterno e que nós busquemos melhorar como seres humanos
e como amigos, porque separar deve ser uma coisa muito dolorida e acompanhada
do descaso e do afastamento dos amigos deve ser insuportável.
Deus
te acompanhe Betinha e dê o conforto necessário a sua família.
P.S.
Sabe, tô legal de perder amigos.
P.S. do P.S. E se não bastasse
tudo isso, ainda tenho que aturar Roberto Jeferson como herói nacional.
Ninguém merece...
PAULO SOBRINHO E SOLANGE (loretando@oi.com.br)
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