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Fé e Política| AGOSTO


“O Cristão e o plebiscito do desarmamento”


"Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus"
(Mt 5, 9)

Uma grande questão nacional começa a ganhar força e espaço nas discussões das nossas paróquias, comunidades e pastorais: A questão do desarmamento e a aproximação do plebiscito nacional sobre a proibição de venda de armas no Brasil.
Entretanto, qual a importância deste tema para nós, Cristãos engajados e preocupados com a promoção do tão sonhado Bem Comum?

Se tomarmos como base, para a análise deste problema, os números de mortes por armas de fogo em nosso país, fica fácil entender porque o Governo Brasileiro, juntamente com a CNBB, o CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) e a sociedade civil organizada estão tão preocupados com o assunto em questão: cerca de 100 pessoas morrem diariamente por armas de fogo em nosso país. Esses dados são tão preocupantes que, segundo o IBGE, essas mortes chegam a influenciar negativamente os cálculos da expectativa de vida do Brasileiro. E não pára por aí: Esse número dá ao Brasil um triste título: O de campeão mundial em mortes por armas de fogo.

Dentre os vários argumentos que contestam a proibição da venda de armas podemos destacar dois que mais nos chamam a atenção: A falta de "foco" para solucionar o problema da violência e a questão do direito a legítima defesa do cidadão.

O primeiro argumento toma por base a questão de que não será "desarmando" a população que a violência será resolvida.
Entretanto, precisamos lembrar que a questão do desarmamento não é e nunca foi o ponto central para resolver os problemas de segurança pública em nosso País. Existem muitos outros aspectos ligados à violência, tais como, a profunda injustiça social gerada pela falta de distribuição de renda, a falta de uma política de reforma agrária séria que crie mecanismos de incentivos para fixar o cidadão da zona rural no campo, evitando o "inchaço" dos grandes centros urbanos, além de uma política de segurança pública nacional e regional integrada e atuando em conjunto com os poderes públicos em todos os níveis (federal, estadual e até mesmo municipal). O que precisamos entender é que a questão do desarmamento tirará de circulação as armas dos cidadãos que não estão preparados para utilizá-las e que quase sempre acabam causando acidentes fatais com os seus portadores ou causando a morte em assaltos dessas pessoas que acreditavam que com uma arma estariam resolvendo o seu problema de segurança pessoal. As estatísticas oficiais deixam claro que não é uma arma na mão do cidadão que o deixará mais seguro. Muito pelo contrário; ela aumenta significativamente o índice de violência causado por armas de fogo.

O segundo argumento, o da legítima defesa, é o que ganha mais força entre aqueles que são contrários à proibição do comércio de armas. Entretanto, o que mais tem preocupado aos militantes que lutam pela sua proibição não é o argumento em si, mas o que se esconde por trás desta desculpa. Neste argumento que, muita das vezes, ouvimos do cidadão comum, existe uma rede de interesses financeiros escondida e muito bem disfarçada enganando quase todos aqueles que se utilizam dessa justificativa. Um bom exemplo é o caso das indústrias bélicas que ganham fortunas em todo mundo financiando principalmente campanhas políticas em troca de guerras e da liberação da venda de armas, independente de suas conseqüências. A liberação do consumo de produtos que atentem direta ou indiretamente contra a vida, sempre possuem o lobby das empresas que lutam para garantir os seus lucros deixando a questão da vida em segundo plano.

Se as indústrias bélicas perderão muito dinheiro com a proibição, ganharão muito mais as famílias brasileiras na valorização da vida e dos direitos humanos. Precisamos, mais do que nunca, considerar os valores éticos Cristãos para respaldar as nossas atitudes e reflexões acerca deste tema. Entre o capital e a vida humana, qual seria a opção de Cristo?

Para terminar, eu gostaria de convidar a todos os nossos amigos leitores da nossa coluna a refletir sobre o Evangelho de São Lucas 6, 27-35, quando Jesus nos diz: "Amai aos vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; (...) A quem te bater em uma face, oferece também a outra". Difícil, não? Entretanto, será através de atitudes como essa que construiremos um reino de Justiça e Paz, conforme consta no versículo do Evangelho das "Bem-aventuranças" (Mt 5,9) que ilustra o início do artigo deste mês.

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Email : feepolitica@terra.com.br

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