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É ele que conhece, melhor do que ninguém, o nosso
pequeno grande mundo pessoal e existencial.
Sabe, mais profundamente, o que somos: o que, como, porque - sentimos,
pensamos, fazemos.
O psicólogo é aquele que deve compreender aquilo que
muitas vezes o que o amigo não consegue e percebe erradamente;
que sempre deve querer compreender e se esforçar por isso.
Compreendendo-nos, ele não só desvenda, como reforça
o nosso eu verdadeiro, não só o nosso eu presente
(quase sempre encoberto, apagado pelas defesas às múltiplas
ameaças do nosso dia-a-dia). Como disse Carl Rogers, inovador
psicólogo americano, ele se sente o parteiro
de uma nova personalidade, trazendo-a à luz, através
da sua cálida aceitação do outro (o cliente)
no seu presente, na esperança do seu devir futuro.
Acima da excelência da técnica que emprega está
a riqueza da sua personalidade que se dá. Imprescindível,
pois, que ele a cultive, desenvolvendo os dons que Deus lhe deu.
O psicólogo deve ter e ser capaz de transmitir amor, equilíbrio
e segurança.
Onde quer que se encontre o ser humano, cabe a presença do
psicólogo, pois a Psicologia é a arte-ciência
da existência humana. O psicólogo cristão deve
ser capaz de reconhecer suas origens e finalidades divinas, se inserir
no seu universo como num todo, assumindo a sua fraternidade com
os demais seres da Criação, suas relações
de dependência, comunidade, cumplicidade, respeito e responsabilidade,
num plano comum de coabitação com a Natureza, num
plano fraterno - pois tudo veio do Amor e tudo pede Amor.
Sem perder o consenso e a ética, ele deve ter o coração
e a mente abertos à Verdade, ou às verdades com que
se depara em seus caminhos, ou seja, poder viver na consciência
íntima da Humildade, percebendo, na medida em que cresce
(na ciência e na vivência própria) o quanto lhe
falta ainda, na sua estrada, a percorrer.
Um psicólogo muito conhecido, Wilhelm Reich, expressou com
muita sensibilidade a sua vocação:
Fui eu que te revelei o campo infinitamente vasto da tua própria
energia vital, da tua natureza cósmica. Esta é a minha
recompensa.
Norma Gonçalves
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