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A raiva é uma experiência e uma emoção
negativa que surge quando alguém resiste a alguma coisa que,
no seu íntimo, sabe que deveria fazer. Algumas pessoas dificilmente
passam um dia sem sentir raiva. Essa emoção pode ser
demonstrada ou reprimida. Pode ser controlada ou não. Pode
durar ou se desfazer. A raiva manifestada provoca freqüentemente
o afastamento dos outros. Aqueles que perdem as rédeas sofrem
geralmente por causa de um conceito negativo que têm dê
si mesmos. Raramente aceitam-se como são. A raiva está
na base de um grande número de conflitos interpessoais, de
fracassos profissionais, de desentendimentos domésticos e familiares.
Pode crescer e chegar à agressividade, à ira, à
fúria, e levar até mesmo ao homicídio.
A raiva contida ou reprimida pode estar relacionada com doenças
físicas, como a hipertensão e os problemas cardíacos.
Por isso a raiva é uma emoção talvez mais destrutiva
e mais danosa do que a depressão, a ansiedade e o sentimento
de culpa.
Uma teoria diz que pessoas que manifestam um comportamento de "Tipo
A" (freqüentemente precipitado, impaciente, hipereficiente
e excessivamente ambicioso) são muito mais propensas aos distúrbios
cardíacos do que aquelas que possuem perfil de caráter
chamado de "Tipo B" (pessoas mais tranqüilas, pacificas
e pacatas). Estudos posteriores demonstraram que essa propensão
não estava tanto ligada aos ritmos, à pressão
ou aos traços de hipereficiência do comportamento de
"Tipo A", mas sim ao fato de que este tipo de caráter
é geralmente muito agressivo, e que a raiva constitui o seu
fundamento.
O impacto destrutivo da raiva sobre a saúde física e
mental das pessoas já foi bem documentado. Mas qual a origem
da raiva? Como ela é produzida? A resposta mais simples é
que ceamos a raiva quando exigimos de nós e dos outros aquilo
que "pensamos" ser uma obrigação. Trata-se
de uma atitude que sempre exige do outro aquilo que se pensa ser um
dever, bem retratado pelas frases "deveria ser assim", "seria
bom fazer aquilo", "deve-se absolutamente ser ou fazer assim".
A raiva implica sempre uma exigência: "Você deveria
ter feito de maneira diferente!"; "Você não
deveria responder dessa maneira.
Deve ser assim ou assado? Não importa. O que importa é
saber que, quanto mais você se enraivece, mais raiva você
vai sentir. A não ser que você seja o diretor geral do
universo, você não poderá nunca saber o que "deveria"
e o que "não deveria" ser feito. Você pode
conhecer apenas aquilo que diz respeito a você mesmo: o que
você prefere, quer e deseja; aquilo que você pensa ser
certo ou errado, bom ou mau. Dizer: "Seria tão bom se
você pudesse ajudar um pouco mais em casa" e muito diferente
de 'Você tem que ajudar mais em casa.
Por que as pessoas sempre devem fazer alguma coisa? O problema é
que você gostaria que se fizesse determinada coisa, ou talvez
que aquela coisa fosse feita de uma certa maneira. Mas isso não
significa que todos devem obedecer aos seus desejos, nem que tenha
sentido essa raiva que você experimenta quando alguém
não faz o que você exige. Deixe de lado suas exigências
e imposições, e comece a observar o que acontece com
suas emoções. Você vai experimentar menos raiva
e poderá ter uma vida mais longa, mais saudável e mais
feliz.
Texto retirado da Revista Cidade Nova - Pasquale Ionata |
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VEJA NESTE MÊS DE ABRIL/2002:
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