Você
já reparou que para o cristão a semana começa
no domingo e não na segunda-feira? Pois, como diz o próprio
nome, a segunda-feira é o segundo dia da semana. O cristão
deve iniciar sua semana com cara de domingo, não de segunda-feira...
Qual é a importância do domingo? O autor do Apocalipse
faz questão de dizer que ele teve a sua visão no "primeiro
dia da semana", no domingo. É o dia da ressurreição:
o que ele vê, na sua visão, é "o morto que
está vivo", Cristo ressuscitado. É o dia da celebração:
ele vê uma liturgia celeste em honra de Jesus, o Cordeiro pascal
imolado por nós.
Primeiro Jesus aparece aos discípulos, mostrando-se ressuscitado
e vivo, para derramar sobre eles o Espírito Santo, que lhes
dá o poder de tirar o pecado do mundo, como ele mesmo tinha
feito. Oito dias depois, Jesus aparece para se mostrar a Tomé
e confirmar a sua fé. Sempre na comunidade reunida no primeiro
dia da semana!
O primeiro dia da semana, o domingo, ou seja, dia do Senhor, é
o dia de Jesus e de Deus. Lembra o primeiro dia da criação,
quando Deus criou a luz. A ressurreição de Jesus é
novo primeiro dia da criação, nova luz que surge sobre
o mundo. E cada domingo é, para o cristão, a comemoração
desta luz pascal e desta nova criação. Nós mesmos
somos criaturas novas, chamadas à vida na luz - a luz de Cristo
morto e ressuscitado.
O domingo é páscoa semanal, dia da comunidade, lembrete
da nova criação que nós somos em Cristo. Não
só pessoalmente, mas como comunidade, chamada a dar um novo
tom ao mundo. Os habitantes de Jerusalém perceberam esta novidade.
Muitos aderiram à comunidade e todo o povo a elogiava. Também
hoje, o mundo deve perceber essa novidade novo rumo que os cristãos
imprimem à história, transformando-a de história
de opressão em história de libertação.
O domingo, com seu descanso físico, sua alegria espiritual
e sua comunhão na celebração, deve alimentar
em nós esta existência pascal nova e transformadora.
Uma comparação com Israel pode ser esclarecedora. Israel
celebra o dia santo no sábado, dia do descanso de Deus depois
de completada a criação. É um símbolo
religioso muito profundo. O próprio Jesus observava normalmente
o sábado, tomando porém a liberdade de fazer curas ou
permitir colher espigas, porque a vida que Deus criou deve também
ser conservada no dia de sábado... Os cristãos escolheram
com dia santo o dia depois do sábado, o dia da Ressurreição,
da restauração da vida, pensando não tanto na
criação acabada, mas na novidade de vida inaugurada
por Jesus. Por isso, os Pais da Igreja chamam este dia de "oitavo
dia": ele está fora da seqüência comum, é
de outro nível. Simboliza o tempo novo e definitivo. Será
que isso se reconhece na maneira em que celebramos o domingo?
Pe. Johan Konings - Jornal Opinião
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