O MESMO DEUS
A missa, porém envolve o mistério, que só é
"visto" pelos olhos da fé. Ouvimos as palavras do
celebrante, vemos seus gestos, o cálice com o vinho e a hóstia,
mas não vemos Cristo, porque é um "milagre",
um acontecimento que se situa na ordem sobrenatural. É por
isso que o celebrante nos diz em voz alta e solene após a consagração:
"Eis o Mistério da Fé!". É para nos
despertar da rotina para nos chamar a atenção com essa
lembrança do sobrenatural inatingível pelos olhos da
carne. É nesse "MISTÉRIO DA FÉ" que
está todo o valor e a força da Celebração
Eucarística. A rotina pode levar-nos ao grave perigo de vermos
na missa apenas a sua exterioridade: palavras, gestos e objetos litúrgicos,
deixando em segundo plano o mistério da presença de
Jesus na Eucaristia. É o esvaziamento do sobrenatural, a descida
da missa ao nível das coisas humanas ou até mundanas.
O rosto santo de Jesus foi visto, ao mesmo tempo, por Pedro e por
Herodes, por João e por Pilatos, pela Virgem Maria e por Judas
Scariotes. Igualmente na cruz, Cristo foi visto pelo ladrão
revoltado e pelo ladrão arrependido, na mesma hora. E, embora
Jesus fosse o mesmo para os dois, um deles se salvou, o outro provavelmente
não, porque cada um olhou para Jesus segundo a sua fé
ou a sua descrença. O importante é "como"
a gente vê a Deus que passa pela nossa frente...
Colaboração de Glorinha - Pastoral da Liturgia |