Existe hoje, um predomínio da banalização e superficialidade,
não só do sexo, mas de tudo. Poucos temas sérios
são tratados. A programação televisiva é
impressionante. Todas as relações são superficiais:
de amizade, na escola, tudo é muito funcional e burocratizado.
Não se dá importância a cada ser. Não se
vai ao fundo das questões. Não estamos sabendo construir
um mundo de partilha...
Há um certo desencantamento em termos de vida sexual. Isto
é tão verdade que sempre se procuram novos expedientes,
novos ingredientes, como "viagra" e outros, no sentido de
aprimorar o relacionamento sexual. Esta própria busca de sempre
novos ingredientes é uma confissão de fracasso e de
que se perdeu a espontaneidade. Há uma obsessão do sexo,
quando deveríamos chamar a atenção para o fato
de que o sexo é apenas um ângulo da sexualidade.
A sexualidade tem muitas dimensões: política, econômica,
sócio cultural, religiosa, mística, afetiva. E o que
está ocorrendo é uma absolutização do
sexo, e um empobrecimento da sexualidade, sobretudo em termos de afetividade
e ternura. Esta é a grande virtude a ser cultivada num mundo
de violência no trânsito, no trabalho, das guerras que
não terminam mais. Enfim, a ternura é a expressão
de uma sexualidade bem integrada, seja em nível interpessoal
ou social. E, ao contrário, a violência, a agressividade
são sintomas de que algo não está bem no campo
da sexualidade.
Tempo para conversar...
A primeira grande lição que os pais podem dar para os
filhos é eles revelarem uma vida sexual equilibrada. Aqui não
estou falando do ato sexual, mas de vida sexual, afetiva-sexual, de
respeito mútuo, de ajuda, de abnegação e renúncia.
Esta é a lição da vida, ou seja, como os pais
vivem a sua afetividade. A segunda lição é como
os pais manifestam o seu amor para com os filhos. O exagero em termos
de superproteção não favorece a educação
de uma sexualidade madura. O filhinho da mamãe nunca vai ser
um bom esposo. A filhinha do papai nunca vai ser um boa esposa. A
superproteção é um mecanismo de deseducação
da afetividade.
Por outro lado, a falta de atenção, de tempo, dedicação
e carinho, também são prejudiciais. Os pais precisam
ajudar a criança, o adolescente, a se libertar, a ser ele mesmo.
Outra lição: como vivemos num mundo de uma compreensão
empobrecida de sexualidade, cabe aos pais estudar porque um grande
número de pais são ignorantes em matéria de sexualidade.
Sabem fazer sexo, mas são ignorantes em matéria de sexualidade.
O fato de ser casado não significa que você entenda de
sexualidade, até pelo contrário, porque o contexto todo
é de deseducação sexual.
Pais aprendem com os filhos...
Os filhos podem também ajudar na medida em que forçam
os pais a terem clareza, por exemplo, de como se portar diante de
uma criança que manifesta tendência homossexual. Os filhos
forçam um pronunciamento dos pais. Agora, para se pronunciarem,
os pais precisam ler, estudar os vários aspectos em jogo. Outra
coisa: os pais precisam ter clareza em termos, por exemplo, de quando
vão dar maior liberdade aos filhos. Eu sou pela liberdade desde
criança, mas uma liberdade responsável, onde o filho
sempre encontre no pai ou na mãe alguém com quem pode
abrir o jogo, falar tudo que sente e que está vivendo. Então,
se trava um diálogo em que os filhos acabam ajudando os pais
a eles, entre si, terem que acertar melhor as suas idéias e
concepções de vida
Texto do Frei Antonio Moser (franciscano), autor do livro "O
enigma da esfinge A sexualidade"
Editora Vozes Petrópolis, RJ Extraído do jornal Mundo
Jovem, março/2002, pág. 15. |