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Lições de sexualidade em casa | ABRIL

Existe hoje, um predomínio da banalização e superficialidade, não só do sexo, mas de tudo. Poucos temas sérios são tratados. A programação televisiva é impressionante. Todas as relações são superficiais: de amizade, na escola, tudo é muito funcional e burocratizado. Não se dá importância a cada ser. Não se vai ao fundo das questões. Não estamos sabendo construir um mundo de partilha...

Há um certo desencantamento em termos de vida sexual. Isto é tão verdade que sempre se procuram novos expedientes, novos ingredientes, como "viagra" e outros, no sentido de aprimorar o relacionamento sexual. Esta própria busca de sempre novos ingredientes é uma confissão de fracasso e de que se perdeu a espontaneidade. Há uma obsessão do sexo, quando deveríamos chamar a atenção para o fato de que o sexo é apenas um ângulo da sexualidade.

A sexualidade tem muitas dimensões: política, econômica, sócio cultural, religiosa, mística, afetiva. E o que está ocorrendo é uma absolutização do sexo, e um empobrecimento da sexualidade, sobretudo em termos de afetividade e ternura. Esta é a grande virtude a ser cultivada num mundo de violência no trânsito, no trabalho, das guerras que não terminam mais. Enfim, a ternura é a expressão de uma sexualidade bem integrada, seja em nível interpessoal ou social. E, ao contrário, a violência, a agressividade são sintomas de que algo não está bem no campo da sexualidade.

Tempo para conversar...
A primeira grande lição que os pais podem dar para os filhos é eles revelarem uma vida sexual equilibrada. Aqui não estou falando do ato sexual, mas de vida sexual, afetiva-sexual, de respeito mútuo, de ajuda, de abnegação e renúncia. Esta é a lição da vida, ou seja, como os pais vivem a sua afetividade. A segunda lição é como os pais manifestam o seu amor para com os filhos. O exagero em termos de superproteção não favorece a educação de uma sexualidade madura. O filhinho da mamãe nunca vai ser um bom esposo. A filhinha do papai nunca vai ser um boa esposa. A superproteção é um mecanismo de deseducação da afetividade.

Por outro lado, a falta de atenção, de tempo, dedicação e carinho, também são prejudiciais. Os pais precisam ajudar a criança, o adolescente, a se libertar, a ser ele mesmo. Outra lição: como vivemos num mundo de uma compreensão empobrecida de sexualidade, cabe aos pais estudar porque um grande número de pais são ignorantes em matéria de sexualidade. Sabem fazer sexo, mas são ignorantes em matéria de sexualidade. O fato de ser casado não significa que você entenda de sexualidade, até pelo contrário, porque o contexto todo é de deseducação sexual.

Pais aprendem com os filhos...
Os filhos podem também ajudar na medida em que forçam os pais a terem clareza, por exemplo, de como se portar diante de uma criança que manifesta tendência homossexual. Os filhos forçam um pronunciamento dos pais. Agora, para se pronunciarem, os pais precisam ler, estudar os vários aspectos em jogo. Outra coisa: os pais precisam ter clareza em termos, por exemplo, de quando vão dar maior liberdade aos filhos. Eu sou pela liberdade desde criança, mas uma liberdade responsável, onde o filho sempre encontre no pai ou na mãe alguém com quem pode abrir o jogo, falar tudo que sente e que está vivendo. Então, se trava um diálogo em que os filhos acabam ajudando os pais a eles, entre si, terem que acertar melhor as suas idéias e concepções de vida

Texto do Frei Antonio Moser (franciscano), autor do livro "O enigma da esfinge A sexualidade"
Editora Vozes Petrópolis, RJ Extraído do jornal Mundo Jovem, março/2002, pág. 15.
 
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