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Em contraste com a atitude humana de Abrão e Sarai (Gn 16),
eis a intervenção de Deus. Embora anunciada por um número
de anos que apontam para uma velhice de Abrão, essa se dá
no momento em que Deus decide agir. Volta a simbologia numérica,
desta vez com surpreendente ambigüidade. Noventa e nove, duas
vezes múltiplo de três: número que diz respeito
à divindade.
Todo o capítulo e solene. A abertura é soleníssima:
"apareceu Iahweh a Abrão e lhe disse: Eu sou El Shaddai
(o Deus do amor maternal Gn 49,25-) ...Eu instituo minha aliança
entre mim e ti" (Gn 17,1s). Enquanto o homem, com toda a sua
preocupação, mal e mal consegue um herdeiro e, este,
só por vias legais, Deus vem com o seu amor poderoso e faz
de Abrão uma multidão de povos. A iniciativa é
unilateral: é Deus que propõe a Aliança com os
seus termos, sempre. Todavia, em favor do homem. Abrão se torna
Abraão: "Pai de uma multidão de povos"(v.
5). Até reis serão parte da descendência de Abraão:
um detalhe que nos indica o tempo da composição do texto
e define a natureza do mesmo. Estamos diante de uma teologia da história
do tempo da realeza que reconhece na origem e ao longo das gerações
do povo hebraico a intervenção da poderosa mão
de Iahweh, o Deus que é e que faz as coisas acontecer. Estabeleceu-se
uma Aliança eterna entre Deus e Israel. O sinal dessa Aliança
foi, de fato, a terra que Deus prometeu a Abraão e que, no
tempo dos reis era o vasto reino de Davi. Diante dessa prova, Israel
está convicto que o verdadeiro Deus quer ser o seu Elohim (
o deus que os tornará vitoriosos contra todos os inimigos da
terra). O Autor sagrado lembra, todavia, que a Aliança está
ligada a claras obrigações das quais o sinal da circuncisão
é contínua lembrança. A observância das
leis que Deus impôs ao povo da Aliança e das quais a
circuncisão lembra a obrigação, será,
portanto, a condição da proteção de Iahweh
dos exércitos.
No momento solene em que Deus estabelece a sua Aliança com
Abraão e lhe muda até o nome para significar a que é
destinado, Deus muda também o nome de Sarai em Sara (princesa)
e ela é preconizada mãe do filho da promessa, mãe
de povos de reis e de nações. Eis a prosperidade que
Deus reserva aos seus servos, infinitamente superior àquela
que eles poderiam arranjar com seus esforços. Incrível
que pareça, o homem está mais propenso a julgar uma
situação e a resolvê-la segundo seus critérios
do que confiar em Deus, não obstante todas as provas do seu
Amor e do seu Poder! Abraão ri desconfiado. Mas, enquanto ri,
sem saber, profetiza: chama de Princesa a Sarai que será mãe
no tempo de Deus que se completou (aos noventa anos: múltiplo
perfeito de três). Para sua eterna confusão, Deus exigirá
que o nome do filho da promessa seja Isaac (= ele ri). O nome lembrará
para sempre a gratuidade do dom para aquele que desconfiou de Deus.
O momento dessa Aliança é tão solene que até
Isaac é nela incluído enquanto é lembrada, em
geral, toda a sua descendência (v.19).
Chega enfim o momento da benção de Ismael (v.20). É
o momento da grande recompensa para Agar que foi obediente ao Anjo
de Iahweh (Gn 16,10.15). Tanto quanto Israel, o povo que descende
de Ismael será capitaneado por doze príncipes: será
portanto um povo perfeito no número e na sua realização.
É bom lembrar aqui a simbologia desse número que reaparece
com toda a sua significação em Ap 7. É o número
que indica perfeição: tudo o que Deus faz é perfeito.
Todas as pessoas que estão incluídas na Aliança
são, para Deus, igualmente importantes. Sobre elas Ele quer
atuar o seu Plano tanto quanto o atua com o Cabeça. Isto significa
que quando somos tornados membro do Corpo de Cristo, em virtude do
Batismo, do qual a circuncisão era figu-ra, para todos os efeitos,
o destino de Cristo Jesus se torna Princípio e Modelo do nosso
destino.
Pe. Fernando Capra
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VEJA NESTE MÊS DE ABRIL/2002:
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