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Acredito na família | ABRIL


Estamos em uma época de questionamentos, afetados pela "cultura" do provisório, do transitório e descartável. Coloca-se em dúvida o valor do casamento, a santidade e indissolubilidade do Matrimônio. De conseqüência, a dialética e polêmica sobre a vida familiar deflagra-se na mídia, atingindo os ambientes até agora mais serenos e fundamentados em princípios éticos de valor evangélico inconteste.

Constatam-se hoje grandes perplexidades, até de cristãos e católicos, em relação à família. Muitos vivem no mundo de incertezas e dúvidas de tal alcance que chegam a esquecer e até a perder os valores perenes da família. Outros ainda, por crises em que se encontram, se vêem como que impossibilitados de dar uma resposta conforme a sua própria consciência. Esta climática negativa, que envolve a Família, é o resultado de ataques frontais a ela, do descrédito em que se tenta lançá-la.
Aparecem situações adversas, dificultando a vivência dos ideais da família. São situações de natureza sociológica e religiosa. A maioria de nossas famílias não é evangelizada e não se ofertam condições pastorais, para que a família assuma seus valores e seus ideais. Situações culturais adversas acabam por reduzir o amor ao sexo e este, ao prazer; amor, sexo e prazer, a consumo. No exame da proporcionalidade, há mais separações que casamentos. Existem mais juntados que casados. Infelizmente!
Há manipulação massificada da opinião pública, comandada por grupos poderosos e pouco interessados em uma "civilização do amor"... A família é vítima de tais ataques. Pleiteia-se contrapor ao plano de Deus outros planos internacionais de economia, de pseudo-sociologia, programas destruidores da família. Os filhos são malvistos e apontados como agressores, nocivos ao bem comum.

Erigem-se, como valores supremos, o próprio egoísmo, o prazer com finalidade única do esforço humano, o consumismo e o abafamento da própria consciência.

Luta-se pelo amor livre, pelo divórcio e aborto. Agride-se ainda a própria vida através de programas amplos de esterilização, de mentalidade contraceptiva.

As ideologias dominadoras e conflitantes do mundo moderno vêem na família um obstáculo para o seu avanço e infiltração. Por isso repetem e atuam a blasfêmia histórica: "É preciso despedaçar, esfacelar a infame!". É este o lado mais difícil a enfrentar na pastoral familiar.

Esses ataques, antes de nos desanimar, nos levam a refletir e a proclamar os valores positivos da família em si. Ela é e será sempre a imagem de Deus: experimentamos Deus na família, no sentido comunitário da vida. Doação ao Pai ao Filho, dando a Este a oportunidade de responder: "meu Pai". Forma-se um verdadeiro Espírito de Família. Essa característica de Amor e de Vida leva à difusão plena, participada por nós.

A criança é a perpetuação de atitudes e gestos de amor para todo o sempre. É o sempre-novo do amor entre marido e mulher. É o amor, eclodindo com nova vida perene. A família é Sacramento, pois Cristo se dá inteiramente à Igreja e ao seu povo com doação familiar. O casamento é aliança e não apenas pacto: é aliança de amor, de vida e sentimento.

A família é anterior à sociedade. É comunidade originária. Por isso, a sociedade não pode ditar normas contra ela. A estabilidade, a segurança e a paz da sociedade existem, ao existirem no âmbito da família.

O ser humano nasce sociável, mas se transforma em ser social na família. Aprende a ser "gente" na convivência familiar. Na família são despertados os ideais políticos, o ideal do bem comum, o ideal da solidariedade e da cidadania.

A personalidade do ser humano se forma na família: "Quem não tem família é um errante", um ser desnorteado e sem rumo.
O Magistério ordinário e extraordinário da Igreja é muito claro e incisivo quando fala da família. Considerem-se, apenas como pontos referenciais, afirmações como:

"A Família é a célula primária e vital da sociedade, fundamento desta mesma sociedade"

- "A Família é um dos maiores bens da sociedade e da Igreja".

- "Ela é uma Igreja doméstica, um sacrário"

- "O futuro da humanidade e da Igreja passa pela família"

Autor: Dom Euzébio Oscar Scheid (Arcebispo do Rio de Janeiro)
Extraído do Boletim Mensal da Federação das Congregações Marianas do RJ

 
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