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Estamos em uma época de questionamentos, afetados pela "cultura"
do provisório, do transitório e descartável.
Coloca-se em dúvida o valor do casamento, a santidade e indissolubilidade
do Matrimônio. De conseqüência, a dialética
e polêmica sobre a vida familiar deflagra-se na mídia,
atingindo os ambientes até agora mais serenos e fundamentados
em princípios éticos de valor evangélico inconteste.
Constatam-se hoje grandes perplexidades, até de cristãos
e católicos, em relação à família.
Muitos vivem no mundo de incertezas e dúvidas de tal alcance
que chegam a esquecer e até a perder os valores perenes da
família. Outros ainda, por crises em que se encontram, se
vêem como que impossibilitados de dar uma resposta conforme
a sua própria consciência. Esta climática negativa,
que envolve a Família, é o resultado de ataques frontais
a ela, do descrédito em que se tenta lançá-la.
Aparecem situações adversas, dificultando a vivência
dos ideais da família. São situações
de natureza sociológica e religiosa. A maioria de nossas
famílias não é evangelizada e não se
ofertam condições pastorais, para que a família
assuma seus valores e seus ideais. Situações culturais
adversas acabam por reduzir o amor ao sexo e este, ao prazer; amor,
sexo e prazer, a consumo. No exame da proporcionalidade, há
mais separações que casamentos. Existem mais juntados
que casados. Infelizmente!
Há manipulação massificada da opinião
pública, comandada por grupos poderosos e pouco interessados
em uma "civilização do amor"... A família
é vítima de tais ataques. Pleiteia-se contrapor ao
plano de Deus outros planos internacionais de economia, de pseudo-sociologia,
programas destruidores da família. Os filhos são malvistos
e apontados como agressores, nocivos ao bem comum.
Erigem-se, como valores supremos, o próprio egoísmo,
o prazer com finalidade única do esforço humano, o
consumismo e o abafamento da própria consciência.
Luta-se pelo amor livre, pelo divórcio e aborto. Agride-se
ainda a própria vida através de programas amplos de
esterilização, de mentalidade contraceptiva.
As ideologias dominadoras e conflitantes do mundo moderno vêem
na família um obstáculo para o seu avanço e
infiltração. Por isso repetem e atuam a blasfêmia
histórica: "É preciso despedaçar, esfacelar
a infame!". É este o lado mais difícil a enfrentar
na pastoral familiar.
Esses ataques, antes de nos desanimar, nos levam a refletir e a
proclamar os valores positivos da família em si. Ela é
e será sempre a imagem de Deus: experimentamos Deus na família,
no sentido comunitário da vida. Doação ao Pai
ao Filho, dando a Este a oportunidade de responder: "meu Pai".
Forma-se um verdadeiro Espírito de Família. Essa característica
de Amor e de Vida leva à difusão plena, participada
por nós.
A criança é a perpetuação de atitudes
e gestos de amor para todo o sempre. É o sempre-novo do amor
entre marido e mulher. É o amor, eclodindo com nova vida
perene. A família é Sacramento, pois Cristo se dá
inteiramente à Igreja e ao seu povo com doação
familiar. O casamento é aliança e não apenas
pacto: é aliança de amor, de vida e sentimento.
A família é anterior à sociedade. É
comunidade originária. Por isso, a sociedade não pode
ditar normas contra ela. A estabilidade, a segurança e a
paz da sociedade existem, ao existirem no âmbito da família.
O ser humano nasce sociável, mas se transforma em ser social
na família. Aprende a ser "gente" na convivência
familiar. Na família são despertados os ideais políticos,
o ideal do bem comum, o ideal da solidariedade e da cidadania.
A personalidade do ser humano se forma na família: "Quem
não tem família é um errante", um ser
desnorteado e sem rumo.
O Magistério ordinário e extraordinário da
Igreja é muito claro e incisivo quando fala da família.
Considerem-se, apenas como pontos referenciais, afirmações
como:
"A Família é a célula primária
e vital da sociedade, fundamento desta mesma sociedade"
- "A Família é um dos maiores bens da sociedade
e da Igreja".
- "Ela é uma Igreja doméstica, um sacrário"
- "O futuro da humanidade e da Igreja passa pela família"
Autor: Dom Euzébio Oscar Scheid (Arcebispo do Rio de
Janeiro)
Extraído do Boletim Mensal da Federação das
Congregações Marianas do RJ
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