Histórico da Paróquia de Nossa Senhora de Loreto
A CRIAÇÃO DA FREGUESIA DE JACAREPAGUÁ
O que é uma freguesia?
Freguesia vs. Paróquia
Até ao Liberalismo, “freguesia” e “paróquia” são sinônimos (à semelhança de “concelho” e “município”), não havendo uma estrutura civil separada da estrutura eclesiástica. Nesses tempos, o termo «freguês» servia indistintamente para designar os paroquianos, que eram «fregueses», por assim dizer, do pároco. Segundo a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, a origem da palavra freguesia «que parece mais provável» é a derivação, por corruptela, da expressão «filius ecclesiae», isto é, o conjunto dos «filhos da igreja», dos crentes.
Derivadamente, o termo freguesia, tanto em Portugal como no Brasil, retém ainda o significado de clientes de um estabelecimento comercial; cada cliente individualmente é chamado freguês.
No Brasil, durante o tempo da colônia, a freguesia era exatamente o mesmo que em Portugal, não havendo distinção entre freguesia e paróquia como descrito acima.
Uma organização semelhante manteve-se durante o tempo do Império do Brasil no qual a Igreja Católica foi mantida como religião oficial do Estado, que tinha o dever de pagar salários para padres e bispos. Deste modo, era adequado que a estrutura administrativa civil não fosse distinta da estrutura eclesiástica.
As províncias eram divididas em municípios que por sua vez eram divididos em freguesias. As freguesias correspondiam às paróquias, mas também havia curatos para serviços religiosos em povoações pequenas e sem autonomia política. Por sua vez, os bispos comandavam as dioceses, típica organização administrativa religiosa, que abrangiam geralmente diversos municípios, ou seja, diversas freguesias.
Com a proclamação da República, houve uma total separação entre a Igreja Católica e o Estado brasileiro, de modo que as antigas províncias transformaram-se em estados autônomos divididos em municípios também autônomos que, por sua vez, podem (ou não) ter seu território dividido para fins puramente administrativos. A Igreja Católica passou a manter uma estrutura administrativa distinta.
As razões justificativas e a data da criação
Duas referências, bastante precisas e incisivas, nos permitem afirmar que Jacarepaguá à época da criação de sua Freguesia, já era bastante habitado, dentro das circunstâncias e dos pequenos índices demográficos do Rio de Janeiro, nos fins do século XVII. E mais, que a data da criação foi em 6 de março de 1661.
Por quê? A resposta está na primeira referência histórica: "... sabe-se, contudo, pela memória escrita á folha 1 do liv. 1 de batismos, que o Prelado Almada criara no dia 6 de março de 1661 a Freguesia, dedicando-a a N. Senhora do Loreto e Santo António", e, antes:
"Distando notavelmente da Freguesia de N. Senhora da Apresentação de Irajá o território de Jacarepaguá, onde habitava numeroso povo, e sendo por esse motivo assaz e incômodo o recurso dos Santos Sacramentos, não só aos que ali residiam, mas aos das terras centrais até a Fazenda de Santa Cruz, foi necessário criar-se uma Paróquia, em benefício da administração do pasto espiritual, com o título de Capela Curada"
Em consequência, na obra de Monsenhor Pizarro, está a referência mais antiga referente à criação da Freguesia de Jacarepaguá (6 de março de 1661) "onde já habitava numeroso povo".
A segunda referência é feita por Elysio de Oliveira Belchior:
"A Freguesia de S. José criada por Pastoral de 30 de Janeiro de 1751 e confirmada por Alvará de 8 de maio de 1753, foi a nona Freguesia, se considerarmos também as zonas suburbana e rural do Rio de Janeiro. Antecederam-lhe: Sacramento da Antiga Sé (1567/9); Candelária (1634?); N. S. da Apresentação do Irajá (1644); N. S. do Loreto de Jacarepaguá (1661); N. S. do Desterro de Campo Grande (1673); S. Salvador do Mundo de Guaratiba (1676); S. Tiago de Inhaúma (1684) e N. S. da Ajuda da Ilha do Governador (1710)". Não resta dúvida, por conseguinte, a nosso ver, que a data da criação da Freguesia de Jacarepaguá, sob a invocação de Nossa Senhora do Loreto e Santo António, é de 6 de março de 1661.
E mais, ela foi a quarta Freguesia do Rio de Janeiro.
Existem outras referências históricas, de vários autores confirmando a data de criação da Freguesia de Jacarepaguá.
A pretensa controvérsia quanto à ordem cronológica dentre as Freguesias mais antigas do Rio de Janeiro, refere-se, portanto à primeira Frequesia.
No dia 21 de março de 1628, em grande festa na casa do então governador do Rio de Janeiro - Martim Correia de Sá, Céspedes casou-se com Vitória Correia de Sá, filha de Gonçalo e sobrinha de Martim. Como dote de casamento.
Em 1634, a mulher de Gonçalo, D. Esperança, e a filha Vitória venderam a propriedade a Salvador Correia de Sá e Benevides.
Dona Vitória, entretanto, não se desfez de tudo. Ela continuou com a parte que o marido recebera de seu pai como dote de casamento. Essa grande fração de terras seria doada, em testamento feito por ela no dia 30 de janeiro de 1667, ao Mosteiro de São Bento. Até os dias de hoje há brigas judiciais por posses de terrenos, por causa das diversas cadeias sucessórias que se formaram a partir do século XVII.
Salvador Correia de Sá e Benevides (1601-1688) era general e lutou pelos interesses portugueses contra os holandeses em Angola. Ocupou em três períodos o governo do Rio de Janeiro: 1637 a 1642, 1648 a 1649 e 1659 a 1660. Proporcionou grandes desenvolvimentos em suas terras de Jacarepaguá ao vender muitas delas e auxiliar os compradores a fundar engenhos.
Faleceu em Lisboa no dia 1º de janeiro de 1688.
Com o desenvolvimento da região foi criada em 6 de março de 1661 pelo governador do Rio de Janeiro, João Correia de Sá, a Freguesia de Nossa Senhora do Loreto e Santo António de Jacarepaguá. Essa freguesia foi a quarta do Rio de Janeiro. A primeira fora a de São Sebastião, instituída no dia 20 de janeiro de 1569, quatro anos após a fundação da cidade. A segunda, em 1634, a da Candelária. E a terceira, em 1644, a de Irajá. A sede inicial da Freguesia de Jacarepaguá foi a capela da fazenda do Capitão Rodrigo da Veiga. A igreja matriz de Nossa Senhora do Loreto foi construída pelo Padre Manoel de Araújo. Na inauguração, houve grande festa, na qual compareceram o governador do Rio de Janeiro Dom Pedro de Melo, o prelado da província Manoel de Souza Almada e o Provedor Diogo Correia. Na época, era chamada de planície dos onze engenhos. Eram fábricas de produção de açúcar.
Continua no Próximo número
* Pesquisa realizada no livro O santuário Nacional de Nossa Senhora de Loreto de G/I Mac Dowell Dos Passos Miranda
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