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Apocalipse (20) - A Cidade terrena e a Cidade celeste

João inicia o seu Apocalipse exortando os fiéis à vigilância, que deve ser renovada, na sua motivação, pela liturgia dominical. A contemplação do Senhor da Igreja, na sua condição gloriosa, leva os cristãos a dar testemunho da Palavra e de Jesus Cristo, na perseverança. É dessa forma que terão parte no triunfo que Cristo goza, no céu, com o Pai, após ter assistido, jubilosos, ao julgamento e destruição da Cidade terrena. Gozarão de eterna paz, abeberando-se às águas cristalinas que saem do trono de Deus e do Cordeiro, na Nova Jerusalém, a Cidade que desce do céu, revestida da glória de Deus.

A Cidade terrena, a Grande, representa, de forma emblemática, as civilizações que, nos seus governantes, manifestam o orgulho do homem que se ergue contra Deus e chega, até, a perseguir os que servem a Cristo Jesus. Quem a castiga é o próprio Filho do Homem que veio, a primeira vez, na carne, para fazer, dos que a ele dão a sua adesão, um reino e sacerdotes para Deus. A maneira com que a Cidade terrena é castigada é descrita pelas palavras tiradas dos profetas, particularmente de Isaias e Ezequiel, que as utilizaram quando anunciaram a destruição de Jerusalém. Isto nos permite entender os motivos do castigo: idolatria, infidelidade dos reis, covardia dos juizes, arbitrariedade dos ricos contra os pobres e, enfim, perseguição contra os profetas de Deus. A linguagem utilizada em descrever a destruição, além de figurativa, às vezes, se torna apocalíptica.

Como aconteceu para Jerusalém, a partir do momento em que a missão de anunciar o Reino messiânico é entregue à Igreja, Deus usa de misericórdia com os povos e nações, esperando que, pela pregação dos seus profetas, se convertam. Permite até que os seus enviados sejam mortos pela Cidade, a Grande, que se chama, também, Babilônia e Egito, na qual foi crucificado o Senhor dela (Ap 11,8). Quando, porém, tiver preenchido a medida dos seus pecados, será destruída, lançada ao mar como uma montanha, para desaparecer para sempre.

A Cidade terrena tem a perversão que a figura do Dragão representa de forma clara. Ele é o poder que domina as eras da terra e que se manifesta nos reis que só tem um desejo, "aquele de agradar à Besta". À semelhança do Anjo forte, o Dragão tenta dominar a humanidade pelas duas Bestas que o representam: uma que sai do mar, outra que sai da terra. Enquanto pelo poder dos reis e governantes domina os homens pela espada, obrigando-os a lhe prestar culto como se fosse uma divindade, pelo poder dos falsos doutores, tenta seduzir os homens para que se tornem idólatras, se curvem à imposição dos poderosos, aceitem, na sua fronte, o sinal da primeira Besta.

É contra o Dragão que, vencido por Miguel, desceu à terra para guerrear contra os santos do Altíssimo, que os fiéis devem resistir e, se for necessário, morrer pela espada. É a isto que João "companheiro na realeza e na tribulação" exorta as igrejas.
Os fiéis devem escutar o que o Espírito lhes diz pelas Escrituras, enquanto contemplam o seu Senhor que as sustenta com "a sua mão direita". Devem se animar ao contemplar aquele que esteve morto, mas, que, agora, está vivo, que pode destruir com a espada que sai da sua boca todo falso doutor, que tudo perscruta com o fogo do Espírito e que pode esmagar os reinos da terra com o seu cetro de ferro; porque ele é a Estrela d´Alva, o Filho da Aurora, o único que tem um poder eterno. Ele nos reconhecerá diante do seu Pai se tivermos vivido no fervor da caridade, na sã doutrina, realizando boas obras e dado testemunho dele diante dos homens. Seremos colunas do Templo que está no céu, com o nome nelas inscrito da Nova Jerusalém.

A Cidade celeste pelo que já se diz nas cartas do Filho do Homem às igrejas, é, portanto, a Mulher do Cordeiro, a Nova Jerusalém que desce do céu revestida da Glória de Deus. Aqui na terra, é a Cidade amada que Jesus Cristo defende com o fogo divino, destruindo tudo e qualquer poder que atente contra ela. No céu será constituída por todos aqueles que não receberam, na sua fronte, o nome da Besta, nem, na sua mão, o número dela; por todos aqueles cujo nome será encontrado no Livro da Vida quando o livrinho da sua vida for aberto no julgamento final.
Entoarão um canto novo que ninguém pode cantar, mas somente eles, porque é o canto dos anjos, enquanto os anciãos apresentam, ao longo da liturgia celeste, as orações dos mártires na forma de incenso, queimado em taças de ouro.

A Nova Jerusalém, revestida do manto resplandecente das suas boas obras, será desposada pelo Cordeiro. Viverá em segurança no alto Monte da Potência divina. Será toda de ouro, sem mais poder ser removida da presença do seu Senhor, que a reconhecerá diante do seu Pai.

Perguntas para uma reflexão:

1ª) O que devemos praticar para sermos, uma dia, membros da Cidade celeste?

2ª) Quem é a Cidade terrena

3ª) Quais são os pecados que nos tornam membros da Cidade terrena?

Encerramos aqui os estudos sobre o Apocalipse.

No próximo número: Introdução à Carta aos Romanos

Pe. Fernando Capra/CRSP
 
 
 

VEJA NO MÊS DE ABRIL/2009:


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