A vida do cristão em Colossenses
TENDO PRESENTE O CONTEÚDO da Carta aos Colossenses, notamos que, o tema da vida cristã é amplamente desenvolvido.
Ela brota com a pregação do Evangelho. É despojamento do homem carnal, para nos revestirmos do homem espiritual. É vida de "amor no Espírito" que se desenvolve pelo cultivo da fé, através da compreensão sempre mais profunda do Mistério que é Cristo. É vida de caridade que revela a eficaz energia da Glória de Deus que está em nós quando chegamos ao pleno conhecimento dele, a ponto de fazer em tudo a sua vontade e produzir os frutos do Espírito. É vida que experimenta a alegria do Espírito Santo quando "com toda constância e longanimidade suporta as tribulações". Cristo que é a Cabeça da Igreja, seu Corpo, reconciliou todos os homens com Deus, e quer nos apresentar a Ele santos, imaculados e irrepreensíveis. Por ele a Igreja cresce porque é por ele alimentada. Os fiéis devem assumi-lo como modelo segundo o qual devem andar, porque ele é o verdadeiro Adão. Agora, na condição de Senhor da Igreja, quer nos fazer passar de glória em glória, pela ação do seu Espírito. Por isso, os fiéis devem crescer na fé, aprofundando a compreensão do Mistério que é Cristo, riqueza da Glória e esperança da Glória. Devem viver a caridade procurando ser compassivos e bondosos, como o Pai; humildes e mansos como o Filho, longânimes, na paciência e no perdão das ofensas. Se viverem as tribulações, na constância, chegarão à plenitude do "amor no Espírito" e experimentarão a "eficaz energia do poder da Glória de Deus" (1,11). Cumprirão em tudo a vontade de Deus, "com toda sabedoria e discernimento espiritual", darão "frutos em boas obras" e crescerão ainda mais, renovados pelo Senhor "para o conhecimento segundo a Imagem do seu Criador" (3,10; 1,15s).
Não há necessidade de voltar ao culto dos anjos que regem o universo, seguindo uma mera interpretação de tradição humana, superada pela compreensão que agora temos de Cristo, que em tudo tem a primazia. Ele é o próprio Criador dos Tronos, Soberanias, Principados e Potestades. Aliás, Deus os aprisionou e os arrastou, acorrentados, atrás do carro triunfal do seu Filho (2,15). Tão pouco, precisamos continuar a praticar a circuncisão, porque foi substituída pelo nosso Batismo que "nos desvestiu da nossa natureza carnal" (2,11). Não devemos voltar a celebrar as festas judaicas, a lua nova, os sábados. Tudo, anjos, circuncisão, festas eram figuras da realidade atual que é o "Corpo de Cristo" (2,17). As práticas da tradição humana, acerca dos alimentos, estão fadadas a desaparecer.
Jesus Cristo é o Filho que nos remiu, estabelecendo a Paz pelo sangue de sua Cruz. Fomos arrancados do poder das trevas e transportados no seu Reino. A Plenitude da Divindade que habita nele, nos alimenta e nos faz crescer como membros de um Corpo do qual ele é a Cabeça.
O compromisso do cristão é o de crescer segundo a condição de nova criatura: 1º) deve viver a purificação dos pecados, uma vez que foi santificado pelo Batismo; 2º) deve crescer segundo a imagem de Cristo, o Adão verdadeiro que torna possível a visão de Deus, pela imitação das suas virtudes: compaixão, bondade, humildade e mansidão, longanimidade, paciência e perdão das ofensas. A caridade assim produzida fará reinar a paz de Cristo nos nossos corações. A celebração da Eucaristia é o instrumento para a santificação, a partir da Palavra que deve "habitar ricamente nos fiéis" (3,16). Quando, por ela chegarem ao pleno conhecimento de Deus, então, poderão ensinar com toda sabedoria e admoestar os outros. O desfecho final da santificação será, mais uma vez, a Eucaristia com "salmos, hinos e cânticos espirituais", " um sacrifício de louvor a Deus, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome" (Hb13,15). Tudo, então será, realmente realizado em nome do Senhor Jesus e tudo redundará em "ação de graças a Deus" (Cl 3,17).
Encerramos aqui a série de artigos sobre Ano Paulino. No próximo mês Pe. Fernando Capra começará a publicar na coluna "Temas bíblicos", artigo inicial que abrirá o comentário da Carta aos Romanos de Paulo.
Pe. Fernando Capra - CRSP