A visão do Senhor das Igrejas (1,9-20)
A visão que João tem de Jesus na condição de Senhor das Igrejas, nos permite precisar o motivo último pelo qual João escreve o Apocalipse, que, como já vimos, é aquele de promover nas igrejas a perseverança no testemunho de Jesus Cristo. João descreve a visão pautando-se naquela que Daniel teve do anjo Gabriel, que explicava o Tempo do Fim (Dn 8,19), e na visão de “uma como aparência de homem” (10,18), que tem todas as características do Filho do Homem de Ez 1,26-28, e que Daniel descreve (Dn 10,5s) enquanto amplia Ez 40,3. Jesus, na condição de Filho do Homem, Senhor das Igrejas exerce, para João, a mesma função do anjo Gabriel em relação a Daniel. Esse paralelismo se torna evidente quando lemos Ap 13, momento em que João adota a explicação de Daniel, quanto à perseguição de Antíoco IV Epífanes contra o povo judeu (175 a.C.), para ilustrar a condição de perseguição que a Igreja sofre por parte de reis e falsos profetas. Utiliza, então, também, a figura de Nabucodonosor, para ilustrar como os reis da terra tiranizam as nações e, na sua ambição desmedida, delas exigem um culto de adoração (Dn 3,4-6). O Apocalipse, assim, todo pautado em Daniel, se revela um livro profético que quer responder à questão dos mártires. Inspira-se, amplamente, também, em Ezequiel, enquanto fala de Jesus como Filho do Homem que, na condição de Glória de Iahweh, julga a Cidade terrena e a condena. Jesus é, realmente, o Resplendor da Glória de Deus, a expressão do seu Ser de Deus: verdade que se tornará ainda mais manifesta a partir do momento em que João o descreve na sua condição gloriosa, sentado, com o Pai, no trono da Majestade (Ap 4). É nele que as Igrejas devem confiar, elas que se tornaram seu povo de reis e sacerdotes para Deus Pai, porque é Ele que as rege e guia como Rei-Sacerdote, que lida a Liturgia do Memorial da sua Morte, enquanto, no primeiro dia da semana, a sua Igreja o celebra na sua ressurreição (1,10). Ele é de condição divina e perscruta tudo pelo Espírito. Ele é o Eterno, o Verdadeiro. Tudo é dito em linguagem figurativa, tirada da Profecia: o que nos diz que podemos acompanhar João na sua visão e, em espírito de sabedoria e revelação, descobrir as mesmas verdades e nos motivarmos, como ele se motivou, a servir a Cristo na perfeita caridade, prática das boas obras, sã doutrina e testemunho da Palavra. Para Cristo, as Igrejas têm a dignidade de ser como candelabros de ouro que brilham diante de Deus; de ser como estrelas que podem brilhar no firmamento do céu, enquanto se deixam governar pelo seu Senhor.
Pergunta para uma reflexão:
1ª) Em quais visões de Daniel e Ezequiel se pauta João para descrever Jesus Cristo na condição de Filho do Homem e Senhor das Igrejas?
2ª) Quais são as prerrogativas do Senhor das Igrejas?
3ª) De que forma as podemos contemplar com João, na Missa dominical?
Pe. Fernando Capra/CRSP |