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Repensar a Esperança |ABRIL

Ora, "repensar a esperança" consiste, antes de tudo, em não dar espaço ao desânimo e ao pessimismo. Nesse sentido, nossa luz será sempre o percurso bíblico, a palavra inspirada, o alimento próprio que nos mantém abertos para o futuro.

Uma coisa é certa: existe em cada um de nós um desejo muito grande de estar de bem com a vida. Ao mesmo tempo persiste uma vontade não menor de consolidar nossas convicções, de cultivar o otimismo e firmar nossas amizades expandindo amor. A razão disso e a tentativa de responder aos anseios profundos que se apresentam à nossa mente em forma de interrogação:
Até que ponto, percebo que a minha vida tem sentido?

Quais as dúvidas que impedem meu ritmo de crescimento?
Por que tantas injustiças e tanta falta de solidariedade?
Sei onde está meu irmão? (cf. Gn 4,9)

Não precisamos multiplicar os questionamentos, torna-se necessário fixarmos nosso olhar na virtude que convida a caminhar, a planejar, a confiar: é a esperança.

Ora, "repensar a esperança" consiste, antes de tudo, em não dar espaço ao desânimo e ao pessimismo. Nesse sentido, nossa luz será sempre o percurso bíblico, a palavra inspirada, o alimento próprio que nos mantém abertos para o futuro.

Vamos entrar no âmbito dessa luz. Quando o profeta Jeremias quer manifestar o carinho de Deus para com o povo que se encontra em terra estranha, conforta com estas palavras: "...há uma esperança para o teu futuro" (Jr 31, 17).

O apostolo Paulo exorta a confiar no "Deus da esperança", o Deus que, pela força do Espírito Santo, faz com que todos "transbordem de esperança" (cf. Rm 15. 13). Ora, como poderá a esperança transbordar da nossa vida, do nosso interior? Se olharmos para a prática de Jesus e seu estilo de vida, só poderemos concluir que será através da solidariedade, da prática do amor e da justiça, daquela justiça que se identifica com a vontade de Deus.

Vamos deixar que Paulo continue abrindo nossos horizontes. Ao lembrar o motivo da nossa esperança, ele escreve: "Nós nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança, a perseverança produz a fidelidade comprovada, e a fidelidade comprovada produz a esperança. E a esperança não decepciona..." (Rm 5, 3-4). E ainda: "Que Deus ilumine os olhos dos vossos corações para saberdes qual é a esperança para a qual fostes chamados" (Ef 1, 18). Paulo também reanima os fiéis de Corinto, escrevendo: "...a nossa esperança a respeito de vocês é firme" (2 Cor 1.7).

Avançando na reflexão, vamos aterrissar no campo de Lucas para consultarmos o que escreveu a Teófilo, no Evangelho e nos Atos. Os cristãos das primeiras comunidades, fortalecidos pelo entusiasmo e pela convicção dos apóstolos, encontraram na expressão ritual da ceia eucarística o espaço central para dar sentido à sua fé, à sua existência, a toda a sua vida. "Eram perseverantes no partir do pão" (At 2, 42) e aproximando-se da mesa do Serhor, tiveram a oportunidade de realizar, no dia-a-dia, o exercício da esperança.

Se tomarmos o rumo de Emaús, estaremos acertando o caminho, pois precisamos ouvir aquele "desconhecido" que foi caminhando com Cleofas e o companheiro. Devemos ter a coragem de convidá-lo e acolhê-lo, para que, "ao partir o pão", ele reavive a nossa esperança, que corre o risco de tomar-se fraca a cada instante. De fato os acontecimentos tristes, o pessimismo fácil, a falta de diálogo, marcada pelo egoísmo, podem produzir um esfriamento da fé, ameaçando nossa perseverança, nossa fidelidade e ainda mais a nossa esperança.

João Paulo II, na -Encíclica sobre a Eucaristia, começa dizendo que "a Igreja vive da Eucaristia" e, ao lembrar a importância de não cair na decepção e no desespero, também traz a nossa memória "Aquele viandante divino, que um dia se pôs a caminho com os dois discípulos para abrir-lhes os olhos à luz e à razão, à esperança. (n.° 58).

"Infelizmente, através dos séculos nem sempre sentido profundo do memorial do gesto da Páscoa de Jesus, assumido na sua integridade e no caráter de exigência."

Sempre é tempo de "cair em si" (Lc 15,17), de perceber que precisamos de coragem para dirigir-nos ao Mestre: “ Fica conosco... a noite vem cegando" (cf. Lc 24, 29).

Nossas celebrações, nossas procissões... terão valor na medida em que levarmos a sério a proposta do amor doação e do perdão.
Ha uma convicção a ser consolidada com urgência: sentar-nos a mesa com Jesus. Ali encontraremos o lugar certo para descobrir a necessidade de praticar o amor e repensar a esperança.
Para refletir

1. Como você define a esperança?

2. Experimente manifestar suas convicções.

Padre André Agazzi
 
 
 

VEJA NO MÊS DE ABRIL/2008:


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