Cristologia (18) - O Cordeiro imolado
"30Quando Jesus tomou o vinagre, disse: 'Está consumado!' E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. 31Como era o dia da Preparação, os judeus, para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado -porque esse sábado era um grande dia!-, pediram a Pilatos que lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. 32Vieram, então, os soldados e quebraram as pernas do primeiro e depois do outro, que fora crucificados com ele.
33Chegando a Jesus e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas, 34mas um dos soldados traspassou-lhe o lado com a lança e imediatamente saiu sangue e água. 35Aquele que viu dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que diz a verdade, para que vós creiais, 36pois isto sucedeu para que se cumprisse a Escritura: Nenhum osso lhe será quebrado. E outra Escritura diz ainda: Olharão para aquele que traspassaram. (Jo 19, 30-36)".
O Filho do Homem que, com o Pai recebe, no céu, recebe a mesma adoração, chegou à glorificação da divindade pela sua imolação; a sua humanidade foi unida à Glória da Divindade em virtude da sua plena caridade. Ele é o Cordeiro imolado do qual não quebraram nenhum osso (v.36), princípio de libertação da escravidão do Príncipe deste mundo (14,30) cuja figura, na história dos hebreus, é o cordeiro pascal imolado a cada ano, no primeiro mês do ano, memorial da libertação da escravidão do Egito (Ex 12,1-14). Jesus é o Cordeiro imolado no qual o Pai já se comprazeu desde antes a criação do mundo (1Pd 1,19s) e sobre o qual manifestou a sua complacência no momento do Batismo ao Rio Jordão, momento em que o Filho, o Amado, é consagrado pelo Espírito para o sacrifício. Enquanto a figura do cordeiro pascal se relaciona mais particularmente ao momento da imolação de cruz, é a figura do Servo de Iahweh que ilustra os sentimentos do Filho do Homem que caminha para a Cruz. Jesus é o Servo que viveu sempre atento à voz do Pai, realizou a sua missão profética falando palavras de consolo aos abatidos (Is 49) e se entregou voluntariamente aos seus algozes para expiar os pecados de muitos, levado ao matadouro como um cordeiro que não abre a boca (Is 53).
Verbo de Deus que assumiu a carne humana, depois de ter caminhado para a imolação na humildade de filho de homem, realizada a redenção, se torna, na condição de Cordeiro de Deus vitorioso, o Juiz dos vivos e dos mortos, porque o Pai lhe entrega todo poder. A sua morte foi uma elevação à condição régia, pela qual Jesus agora governa todo o universo. O Cordeiro, que está sentado no trono com o Pai (Ap 3,21; 5,13; 7,17; 22,1), julga, condena e destrói a Cidade terrena, na condição de Leão da tribo de Judá, o Rebento de Davi que venceu, glorifica os seus santos e os conduz às pastagens eternas (7,17). Na vida eterna, o Cordeiro se torna o Esposo da Nova Jerusalém (21,22), e, sentado sobre o trono da majestade divina com o Pai, a fonte do Espírito que sai, como água cristalina, do trono da majestade divina (22,1).
"Digno é o Cordeiro imolado de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor... Àquele está sentado no trono e ao Cordeiro pertencem o louvor, a honra a glória e o domínio pelos sáculos dos séculos!" (5,13).
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Qual é a figura do AT que ilustra Jesus na condição de Cordeiro imolado?
2ª) Por que a figura do Servo de Iahweh completa a figura do cordeiro pascal?
3ª) Qual é a condição do Cordeiro na vida eterna, segundo o Apocalipse?
Pe. Fernando Capra/CRSP |