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| Indignação: para que serve? |
|ABRIL |
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A indignação é um sentimento. Surge de repente como uma espécie de revolta interior diante de algo que nos parece inaceitável. A palavra indignação tem a ver com a dignidade que é negada ou violentada. Ao percebermos isso, nós nos revoltamos.
Compreendendo a indignação
O sentimento de indignação não vem por si mesmo. Ele depende de outros fatores para surgir. Na verdade, é preciso ter capacidade para se indignar, ou seja, indispensável ter o senso ou a percepção do que é digno para si e para as outras pessoas.
Quem não tem essa percepção, não é capaz de se indignar. Por isso, muitas vezes acontecem coisas graves e existe gente que "não está nem aí". Elas não têm o senso da dignidade. Assim, a indignação é uma capacidade que precisa ser alimentada: firmar na consciência a dignidade que temos como seres humanos.
A indignação tem a sua qualidade, isto é, pode ser boa ou ruim.
Há gente que só fica indignada quando os seus próprios interesses são lesados. É o tipo de indignação egoísta e geralmente hipócrita. Nesse caso, o importante, na verdade, não é a dignidade que está em jogo, mas os interesses próprios. Uma indignação bem formada sabe ter em conta a dignidade de todas as pessoas na vida social.
As informações sobre a indignidade
Nossa indignação depende ainda de ser bem informada. Nós sabemos como a dignidade está sendo tratada, através das informações. Podemos estar mal informados e assim também nos enganamos na indignação.
Talvez o problema maior que hoje enfren-tamos está no número tão grande de informa-ções que recebemos sobre fatos que desrespeitam radicalmente a dignidade humana. Por serem tantas informações, a tendência acaba sendo a de a gente se "acostumar com a indignidade". A não ser que os fatos nos atinjam mais de perto, a indignação já era!
O que fazer com a indignação?
A indignação é uma riqueza humana que precisa ser educada. É preciso saber lidar com ela. Já sabemos que agir sem pensar, sob o impulso da indignação, pode levar-nos ao erro. Um exemplo claro são os casos de assalto. A primeira coisa então é pensar antes de agir. Mas "esfriar a cabeça" não quer dizer esquecer a indignidade que acontece. Caso contrário, a indignação se reduz a um sentimento passageiro. É importante que ela provoque uma ação ética que leve à pergunta: o que podemos fazer para que essa indignidade não aconteça (de novo).
Hoje, com tantas notícias sobre desmandos e injustiças cometidas, ficaríamos perturbados se não filtrássemos nossas emoções diante delas. Mas aqui também é preciso tomar cuidado para não perder o senso da dignidade e passar a aceitar tudo como se fosse normal. Diante das informações, é fundamental manterr viva a consciência sobre a dignidade das pessoas que está em jogo nos fatos e notícias.
Pe. Dr. Márcio Fabridos Anjos Teólogo
Da Revista Aparecida |
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VEJA NO MÊS DE ABRIL/2007:
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