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Cristologia (6) - O Filho do Homem

Quando Jesus se apresenta para a sua missão pública, enquanto atribui a si a função de profeta, é visto como homem. Ele é um homem igual a nós; de fato, viveu entre nós. Como costumeiramente dizia o hebreu, ele tinha todo o aspecto de um filho de homem: filho de Maria, a esposa de José, o carpinteiro de Nazaré. Mas porque Pessoa divina, lhe é reservada a condição da figura profética anunciada por Ez 1,26-28. O próprio São João lhe atribui essa condição desde o início da sua vida pública, no momento em que Jesus diz a Natanael que verá o Filho do Homem glorificado, servido pelos anjos (Jo 1,51). O Filho do Homem é, portanto, Jesus que, como homem, nasce de Maria, mas que, porque Deus, é destinado a uma condição gloriosa que se manifestará nele depois de ter passado pelo sofrimento (Lc 24,26). É segundo o sentido que esse título messiânico contém, que Jesus explica aos seus apóstolos, depois que estes professaram a sua messianidade, de que forma ele chegará a reinar. Os apóstolos custam entender o sentido exato da condição gloriosa do Messias, tanto é verdade que brigam entre si porque cada um deles ambiciona os cargos mais altos quando Jesus restabelecer o reino de Israel. Mas Jesus insiste com eles, por três vezes dizendo: "O Filho do homem deve sofrer muito e morrer" (Mc. 8,31; 9,31; 10,33) e, depois da encenação dos filhos de Zebedeu, continua dizendo: "O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos" (Mt 20,28). Chegamos ao sentido pleno do termo quando Jesus declara diante do Sinédrio: "Eu sou o Messias, o Filho do homem que virá sobre as nuvens com todo poder e glória" (Mt 26,64). Jesus é, portanto, o Cristo da forma que se revela a João no Apocalipse: aquele que tem a voz da trombeta, a voz, portanto, de Iahweh quando da sua manifestação no Monte Sinai, que veste as vestes sacerdotais e que é rei, de condição divina, como o indicam seus cabelos brancos. Ele é a Glória de Iahweh que julga o mundo porque todo permeado pelo Espírito.
Com isso entendemos que Jesus, enquanto é o Filho do Homem, da forma que o descrevem Ez 1,26-28 e Dn 10,5s, é o Verbo que se fez carne, que se tornou o Senhor da Igreja após ter vencido a Morte. É aquele que João canta desde a saudação que abre o Apocalipse: "Àquele que nos ama, que nos lavou com seu sangue dos nossos pecados e fez de nós um rei e sacerdote para Deus Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos" (Ap 1,6).

Aquela que, em Ez 1, parecia ser uma mera alegoria para descrever a Glória de Israel que vinha para julgar a Cidade e condená-la por causa dos seus crimes, na verdade, com Jesus, se revela uma figura messiânica, que o próprio Ezequiel não poderia sequer imaginar que se atuaria pela própria Encarnação do Verbo de Deus. Ficamos extasiados em ver como ela se atuou quando lemos a descrição da sua condição gloriosa no céu: "Eis que havia um trono no céu, e no trono, Alguém sentado. O que estava sentado tinha o aspecto de uma pedra de jaspe e cornalina, e o arco-íris envolvia o trono com reflexos de esmeralda. E cada vez que os Seres vivos dão glória, honra e ação de graças àquele que está sentado no trono e que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro Anciãos se prostram diante daquele que está sentado no trono para adorar aquele que vive pelos séculos dos séculos, depondo suas coroas diante do trono e proclamando: 'Digno és tu, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, pois tu criaste todas as coisas; por tua vontade elas não existiam e foram criadas.'" (Ap 4, 2-3.9-11). O que mais nos consola é saber que Jesus, segundo essa condição, "entrou, por nós, como precursor" (Hb 6,20) nos céus. Isto significa que a nossa glorificação constituir-se-á numa "ressurreição semelhante à sua".


Perguntas para uma reflexão:

1ª) Em que sentido Jesus é um filho de homem?

2ª) De que forma o filho de homem chega à glorificação?

3ª) De que forma o Apocalipse nos descreve a figura do Filho do Homem?

Pe. Fernando Capra/CRSP

 
 
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