Meus Nãos
Houve um tempo em que
eu não tinha a menor idéia do que seria ser pai, achava que era
tão fácil quanto se fazer pai, pois, bastava ter uma companheira
e pronto, a natureza faria o resto.
Houve um tempo em que achava que ser
pai bastava imitar os galãs de filmes americanos, manter aqueles diálogos
"ta-ti-bi-ta-ti" e no final piscar o olho como a confirmação
de que o filho já teria entendido.
Houve um tempo em que eu achava
que ser pai bastava não ser igual ao meu e nem fazer as coisas que ele
fazia, principalmente aquelas que eu mais detestava, que era quando ele me dizia
NÃO. Esse "NÃO" vinha sempre depois que minha mãe
dizia: - ,fale com seu pai, se ele deixar... Aí eu já sabia; essa
era a senha do NÃO.
Hoje, quando minha esposa faz a mesma coisa,
eu sei que é a senha para eu dizer não. Nem sempre eu quero dizer
não, mas quebrar essa seqüência seria arrumar uma briga daquelas.
Hoje,
quando vejo meus filhos ficarem indignados com os meus "NÃOS"
entendo as suas revoltas e tento de alguma maneira amenizar o trauma, pois eles
não entenderiam o motivo do "NÃO" por mais que eu explicasse.
Hoje,
eu sei que foi muito importante ter ouvido alguns "NÃO", pois
se isso não tivesse acontecido minha existência estaria seriamente
comprometida.
Hoje, quando encosto a cabeça nos ombros de um dos
meus filhos e percebo neles carinho, amor e respeito, vejo o quanto valeu a pena
ter aprendido com meus "NÃOS".
Hoje, quando faço
minhas orações pedindo proteção para meus filhos,
percebo o quanto foi importante ter colocado minha família nas mãos
desse Deus maravilhoso.
Hoje, quando recebo aqueles presentes tradicionais
do dias dos pais como: caixa de lenços que jamais usarei, meias cor de
abóbora que não combinam com nada que uso e camisas de cores berrantes
em tamanho único onde minha barriga fica de fora, entendo as desculpas
que eles dão e que eu sempre usei: "Pai, é muito difícil
te dar presente, o senhor já tem de tudo".
Realmente, tenho
tudo e mais um pouco, pois me sinto abençoado por ter meus filhos, minha
esposa e principalmente uma comunidade de Deus que é única. O que
mais eu poderia querer? O que mais um pobre mortal como eu poderia pedir a Deus
que já não tivesse recebido sem ao menos ter pedido. Esse Pai Bondoso
continua me presenteando com coisas que sei não merecer, mas Ele insiste
e teima em me fazer feliz. Os "NÄOS" que Jesus me diz nem sempre
eu entendo e aceito, muitas vezes tento driblar Suas considerações
e fazer do meu jeito e assim, exatamente como acontecia quando eu era criança,
acabo me dando mal.
Ainda hoje, velho de guerra, sinto a necessidade de
ouvir uns "NÃOS" de vez e em quando, para mim é meio difícil
ficar parado num canto sem fazer coisas erradas e nisso eu não mudei muito
da minha juventude para cá. Ele também não mudou, não
desiste de mim, não desiste de nenhum de nós. Deus é fiel,
nós nem tanto.
Hoje quando faço minhas orações,
peço a Deus que me perdoe os pecados e que me alimente de fé, é
só o que preciso, o resto eu tiro de letra.
Hoje, me vejo corajoso
para fazer um artigo sobre pai exatamente nas beiradas do DIA DAS MÃES
porque sei que não seria o pai que sou se não tivesse a presença
ativa da minha mãe e da mãe dos meus filhos na minha vida. Não
consigo me ver homem formado e pai responsável sem ter sido um filho bem
criado por uma mulher que dignifica o ofício de ser mãe e isso se
reflete na minha família. Hoje tenho as três mulheres mais importantes
da minha vida ao meu lado, elas, D. Quita, minha mãe, D. Solange, minha
esposa e D. Amanda, minha filha, continuam me oferecendo, sempre que possível
os "NÃOS" que preciso ouvir para manter o rumo da minha vida
e é claro, todas guiadas pelo sentimento maior que Maria, Nossa Senhora,
deixou plantado nos corações das mulheres.
Essa é
minha homenagem antecipada para o DIA DAS MÃES. É com elas e por
elas que todos nós homens vivemos e dedicamos todos os dias de nossas vidas.
P.S.
Em fevereiro perdemos mais um companheiro, o Carlinhos da Ação Social
nos deixou. Nossos sentimentos aos familiares e muita força de Deus em
seus corações.
P.S. do P.S. Poucos o conheciam, pois não
era um cara da mídia loretana, mas quem trabalhou com ele sabe que era
um cara que pegava no pesado e trabalhava feito formiguinha. Vamos sentir muito
a sua falta.
P.S. do P.S. Poucos o conheciam, pois não era um cara
da mídia loretana, mas quem trabalhou com ele sabe que era um cara que
pegava no pesado e trabalhava feito formiguinha. Vamos sentir muito a sua falta.
PAULO
SOBRINHO E SOLANGE loretando@oi.com.br
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