Carta aos Efésios
Introdução
às Cartas do Cativeiro As cartas do cativeiro divergem dos restantes
escritos paulinos, pela linguagem, pelo estilo e pelo fato de serem enviadas do
meio de um cativeiro.
Visto que Paulo esteve preso em Éfeso, em
Cesaréia e em Roma, não se sabe com certeza se as quatro cartas
foram escritas no mesmo lugar. A opinião mais fundada e entendida situa
Colossenses, Efésios e Filemon em Roma durante o primeiro cativeiro de
Paulo entre os anos de 61 e 63. Há quem prefira situar a redação
de Filipenses durante a prisão em Éfeso (cf. 1 Cor 15,30-32; 2 Cor
1,8-10).
Pode-se afirmar que a Carta aos Filipenses foi escrita antes
das dos Colossenses e dos Efésios. E que destas duas últimas, Paulo
escreveu primeiro a dirigida aos Colossenses, e pouco depois, com o mesmo argumento
mais ampliado, redigiu aos Efésios. A enviada a Filemon, ainda que seja
contemporânea das anteriores, tem um caráter muito distinto: é
uma breve nota sobre o regresso de um escravo fugitivo.
Introdução
à Carta aos Efésios Logo que foi alertado com informações
alarmantes sobre a crise em Colossos, Paulo lhes escreve apressadamente uma carta.
Mas a reação suscitada em seu espírito pelo novo perigo levou-o
a aprofundar seu pensamento e, como Romanos lhe tinha servido para colocar em
ordem as idéias lançadas em Gálatas, escreve outra carta,
praticamente contemporânea de Colossenses, em que organiza sua doutrina
em função do novo ponto de vista que a polêmica acaba de lhe
impor e querendo enquadrar no conjunto de sua doutrina essa compreensão
recentemente adquirida, ele faz uma admirável síntese e, talvez,
com a colaboração de um redator, escreve Efésios num tom
calmo, sóbrio, sem as polemicas de Colossenses, embora tanto literária
como doutrinalmente sejam muito semelhantes.
Muito provavelmente Paulo
dirige a carta aos fiéis de Éfeso, mas não como únicos
destinatários. Não seria nada estranho que Paulo tivesse escrito
com intenção de que fosse lida em cada uma das comunidades vizinhas
entre as quais faz circular sua carta (cf. Cl 4,16). Mais do que uma carta circular,
ela é um tratado teológico em forma de carta circula. Examinando
a carta aos Efésios verificamos que ela não se refere a fatos, pessoas
e acontecimentos determinados como as outras cartas; faltando as saudações
habituais e apresentando um tom impessoal, de fato é a mais impessoal das
cartas paulinas.
O centro da carta é constituído por Cristo
e a Igreja (1,3-3,21) e a nova vida em Cristo (4,1-6,20). Nas cartas anteriores
a Colossenses e Efésios, apresenta-se a Igreja formando um corpo sem relação
com a cabeça, de modo que a idéia principal era a união dos
cristãos entre si. Em Cl e Ef, expõe-se a relação
de Cristo com a Igreja, expressando-se o influxo que aquele tem sobre esta. A
idéia principal é a união dos cristãos em Cristo.
A Igreja foi elevada a grande altura, por-que onde está a Cabeça
ali está também o Corpo. Não há separação
entre a Cabeça e o Corpo.
A Cidade de Éfeso A
cidade de Éfeso foi conquistada por Alexandre Magno em 334 a C e passou
em 113 a C ao domínio romano, sendo a capital da província romana.
No tempo de Paulo era a cidade mais importante da Ásia Menor. Situada entre
Mileto e Esmirna, a uns 5 km do mar Egeu, na foz do Caistros, porto de mar para
onde confluía o comércio do interior e chegava o do Mediterrâneo.
Situada a oeste da atual Turquia.
Entre as muitas edificações
suntuosas sobressaia o templo dedicado a deusa da fertilidade: Ártemis
(para os gregos) ou Diana (para os romanos) que foi considerado extraordinário
pela sua arte e ri-queza e uma das 7 Maravilhas do Mundo Antigo.
Por ser
um centro político, religioso e comercial e com grande número de
habitantes era uma cidade florescente nos tempos de Paulo. O povo vivia do comércio
e do tráfico portuário, bem como da afluência dos visitantes,
que acorriam ao templo de Ártemis, sobretudo em abril-maio. Para satisfazê-los,
ourives fabricavam com material precioso (cf. At 19,24s) minúsculas reproduções
do templo e estatuetas da deusa; essas estatuetas idolátricas foram objeto
de um intenso comércio que rendia abundantes benefícios para os
seus promotores. Isto explica a revolta particular, instigada pelo ourives Demétrio
(cf. At 19,24) contra Paulo e os que o acompanhavam, que logicamente condenavam
a superstição e o culto aos ídolos.
A cidade era mal
afamada pelo intenso desenvolvimento de práticas de feitiçaria e
artes mágicas, os papiros mágicos de Éfeso eram conhecidos
em todo o mundo antigo e pela tendência para a prática do ocultismo,
sobressaindo em toda aquela parte da Ásia pela grande superstição
dos seus habitantes. Eram famosos os amuletos com inscrições misteriosas
tidas como proteção contra mau-olhado e coisas semelhantes (cf.
At 19,18s).
Pelo livro dos Atos dos Apóstolos sabemos que Paulo
se deteve em Éfeso em fins da sua segunda viagem apostólica, pelo
ano 52 (cf. At 18,19ss), e que mais tarde, no começo da sua terceira viagem
(54-57) voltou outra vez. Permaneceu então pelo espaço de mais dois
anos, e foi tal a amplitude da sua pregação, que tanto judeus como
gregos de toda a província puderam conhecer o Evangelho (cf. At 19,1.8-10).
Neste sentido foi, sem dúvida, de grande ajuda para o Apóstolo o
serviço presta-do por Apolo, com a sua pregação aos efésios.
A
Paulo, porém, não lhe faltaram em Éfeso tribulações
e provações de todo tipo, até o ponto de se ver obrigado
a abandonar a cidade em conseqüência do tumulto provocado pelo ourives
Demétrio. Deixou então à frente da Igreja de Éfeso
o seu discípulo Timóteo (cf. 1 Tm 1,3) que, segundo a tradição,
morreu confessando o nome de Cristo nesta cidade. Também segundo a tradição
o Apóstolo João passou os últimos dias de sua vida em Éfeso.
Continua
no próximo número
Jane do Térsio |