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A Campanha da Fraternidade de 2005 ao apresentar o tema PAZ E SOLIDARIEDADE
como proposta para nossa reflexão nessa quaresma, nos desafia
a um exame muito mais profundo, e que vai alem do que muitos acham
saber sobre o significado de PAZ e que a Campanha soube muito bem
associar ao conceito de SOLIDARIEDADE.
Nos diversos ambientes de nossa sociedade de hoje é comum
se ver proliferar situações de disputa, de uma busca
incessante de possuir , de um esforço constante para aumentar
o domínio, de uma acumulação cada vez maior
de bens em detrimento daqueles que pouco, ou nada tem. Percebe-se,
não com pouca freqüência , um certo desequilíbrio
provocado pela insegurança de pessoas que sentem um desejo
incontido de possuir e dominar e que , por certo, geram um estado
de ausência de PAZ.
Nosso Cardeal D.Euzébio, nos conduziu a essa meditação
mais profunda. Ele nos lembrou que, voltando ao início dos
tempos, é possível encontrar na narração
genesiana da criação, a origem desse comportamento.
Deus procura pelo homem ( Gen 3 , 10 ) e este se esconde.
Indagado por Deus, o homem confessa: "tive medo, porque estou
nu". A nudez da humanidade, neste momento revelada, mais do
que ausência de roupas, demonstra a fragilidade causada pelo
gesto impensado do homem de ir além do que era o permitido,
de querer superar o limite daquilo que mantinha o equilíbrio
do ambiente. E mais ainda, o homem sentiu medo. Ele se sentiu subjugado
pelo mal realizado e a partir desse momento se tornou prisioneiro
dos impulsos e ficou fraco.
O homem foi de tal modo dominado pela sua fraqueza que, o poeta
bíblico, ao procurar expressar da forma mais precisa possível
a reação de Deus diante de tudo aquilo, descreve em
Gn 6 ,6 "Deus se arrepende de ter criado o homem". É
um momento de grande tristeza, a humanidade percebe o quão
distante está de Deus.
A caminhada do povo de Deus, ao longo dos tempos, vai mostrando
uma sucessão de situações nas quais o homem
vai enfrentando a dificuldade que tem em viver, de forma adequada
e solidariamente, com os demais. Mas, Deus ama suas criaturas e
quer libertá-las desse medo, dessa angústia- a promessa
do Salvador. Assim é que os profetas vão anunciando
ao povo a vinda de um libertador. Em Is (9, 5) Ele é anunciado
como Príncipe da Paz. Em Miquéias(5, 1-4 ) o profeta
anuncia que, de Belém, a menor das cidades, virá aquele
que irá restaurar a aliança e que será a nossa
Paz.
São Paulo na carta aos Colossenses ( 1 , 19-20), reitera
que Cristo é aquele no qual habita a Plenitude e que fomos
recolocados na paz pelo sangue de Cristo.
Portanto, a salvação que nos foi trazida pelo Cristo
se revela pelo restabelecimento da PAZ que significa uma vida pautada
pela certeza de que se deve buscar sempre a manutenção
do equilíbrio entre tudo e entre todos.
Essa é grande desafio que temos pela frente. Jesus, na sua
caminhada, saudava as pessoas dizendo "A paz esteja com vocês"
. Ele queria sempre sublimar a necessidade de as pessoas sentirem
essa tranqüilidade para poderem desfrutar das maravilhas das
coisas de Deus, já aqui na vida terrena. Jesus faz no entanto
uma ressalva. Ele se propõe a dar a PAZ, mas não aquela
paz oferecida pelo mundo, mas sim, uma PAZ que envolve, que compromete,
que é SOLIDÁRIA, que divide e, principalmente que
dá preferência ao irmão. Ele veio para que todos
tivessem vida e vida em PLENITUDE ( Jo 10, 10) . Jesus na sua caminhada
nos mostrou isso, acolhendo a todos e não medindo esforços
para atender aos irmãos. Isso é que temos que fazer
para reconquistar nossa PAZ- A PLENITUDE DA VIDA.
Wanderley e Maria Luiza
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