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O amadurecimento da Política no seio da Igreja
Recentemente, recebi uma mensagem eletrônica de um leitor
que me questionou "Quando e porque a Igreja passou a se preocupar
com a política". Essa indagação, muito
comum nos corredores das nossas paróquias, normalmente é
seguida de outra: "Qual o motivo da Igreja só ter se
preocupado com a questão política nos dias de hoje?"
Na verdade, a Igreja sempre esteve preocupada com a política.
O amadurecimento e aprofundamento deste tema no seio das atividades
pastorais se deram com o Concílio Vaticano II, mais precisamente
aqui no Brasil, com as reflexões conduzidas pela CNBB nas
Campanhas da Fraternidade durante a quaresma. Para entender um pouco
melhor esse processo, vamos fazer um rápido histórico
do papel desempenhado pela CNBB com os temas das campanhas da Fraternidade
ao longo dos anos.
Logo depois do Concílio, a Igreja iniciou um profundo processo
de análise e reflexões sobre algumas questões
internas ligadas a sua renovação. Isso fica claramente
demonstrado nas campanhas que vão de 1964 a 1972. Temas como:
"Igreja em renovação", "Paróquia
em Renovação", "Participação"
e "Serviço e vocação" sinalizam o
início de um novo tempo. Um tempo onde a participação
do leigo dentro da Igreja passa a ser muito mais ativa do que tinha
sido até então.
Depois dessa análise, a Igreja no Brasil passa a questionar
e refletir o seu papel no mundo. E isso fica claro nos temas que
surgiram após 1972. As questões do negro, da saúde,
dos sem-teto, do jovem, do desempregado e do excluído de
uma maneira geral, refletem essa preocu-pação com
o mundo moderno. E isso tudo acontece sob a influência da
necessidade da Igreja estar presente nas questões da sociedade
atual, conforme a orientação do Concílio Vaticano
II.
As campanhas, sempre escolhidas com 3 anos de antecedência
pela CNBB, conduziam as reflexões para a busca de alternativas
e soluções para estes problemas. Em 1995, logo depois
das campanhas anteriores onde os excluídos são analisados
um a um com suas peculiaridades (os que passam fome, os sem-terra,
os negros, os desempregados, os jovens, os sem-teto e etc), a CNBB
lança um tema específico sobre a exclusão de
uma maneira geral, com o claro objetivo de convidar o laicado a
aprofundar as questões que conduzem a sociedade a gerar essa
massa de excluídos existente hoje. O tema "A Fraternidade
e os Excluídos" surge como uma espécie de conclusão,
e ao mesmo tempo aprofundamento, aos abordados nos anos anteriores.
Fica assim, mais do que evidente, que o Cristão do mundo
moderno não pode ficar passivo assistindo a esse crescimento
desenfreado da massa de excluídos sem fazer nada para mudar
esse cenário.
Em 1996, em pleno ano eleitoral quase como que mostrando a principal
via de transformação social e complementando as campanhas
anteriores, a CNBB lança o tema "Fraternidade e Política",
com o lema: "Justiça e Paz se abraçarão".
A igreja mostra assim, a necessidade do Leigo não somente
se preocupar com a Política, mas de participar dela com o
objetivo de promover a Justiça como base de uma sociedade
fecunda na Paz. A Conclusão de que não existe Paz
sem Justiça também soa forte em todas as paróquias
com a reflexão desta campanha. O Cristão não
pode, sob a pena de impedir que o Reino de Deus se instale ao nosso
redor, fechar os olhos para a Política. Essa atitude só
ajuda aos "picaretas" e aproveitadores que surgem no período
eleitoral.
Além disso, a Igreja mostra e promove a criação
de grupos de reflexão alinhados às exigências
éticas e pastorais contidas no Concílio Vaticano II.
A partir de então, todos os temas das campanhas da fraternidade
sempre abordam a questão política como instrumento
de transformação da realidade refletida e questionada
ao longo da quaresma.
Sem sombra de dúvidas, o papel do Leigo, frente aos questionamentos
atuais, jamais será de indiferença. A indiferença
e a omissão são os grandes pecados que a CNBB e a
Igreja da América Latina vêm combatendo. E nós,
Cristãos engajados com a proposta apaixonante do Evangelho,
jamais poderemos cometer a covardia de virar as costas para esse
tema tão importante: "O papel político do Cristão
na nossa sociedade".
Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite
Email : feepolitica@terra.com.br
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