Queridos irmãos e irmãs
Meu coração não cabe dentro do peito de tanta
alegria, por ter vivido uma experiência ímpar, pessoal
e comunitária. Foi lindo, maravilhoso! Depois de quase cinco
anos da minha ordenação sentir como se tivesse sido
ordenado ontem.
Sou realmente privilegiado por viver em uma comunidade como esta,
onde choramos, sofremos, muitas vezes somos crucificados, mas capazes
de viver, em comunidade, o perdão, a graça e a glória
da ressurreição do Senhor.
Esta Semana Santa trouxe para mim as mais belas recordações
da minha caminhada vocacional, em Belo Horizonte e pelo interior de
Minas Gerais. Tudo aquilo que lá vivi, revivi neste ano, em
dobro na minha Paróquia, por isso considero-me agraciado por
fazer parte da família lauretana, com seus pecados, é
claro, mas também com as virtudes e a santidade desta Paróquia.
Muito obrigado, meu Deus, porque o Loreto existe, e de modo especial,
porque nós, Barnabitas, existimos também na caminhada
deste Povo de Deus.
Falando em Semana Santa tivemos uma semana intensa:
Segunda-feira, a Via Sacra, dos Grupos de Oração da
nossa Paróquia, segundo Pe. Arthur, foi linda e muito participada
por todos os fiéis.
Terça-feira, a Via Sacra da Família, emocionante. Há
alguns anos, não fazíamos este momento de oração
das famílias. Ouvindo o ensejo de alguns paroquianos, resgatamos
esta devoção da caminhada do Senhor rumo ao Calvário.
Quarta-feira, em celebração inédita em nossa
paróquia, realizamos a procissão do Senhor dos Passos,
ou seja, a Procissão do Encontro, ou das Sete Dores de Jesus
e de Nossa Senhora, fazendo o encontro destas dores, com as dores
da nossa comunidade. Entregando nas mãos d'Aquele que tudo
pode, as nossas esperanças e confiança de um mundo melhor.
O encontro do Senhor com sua Mãe, na frente da nossa matriz,
quando meditávamos a sexta dor, foi emocionante, não
houve quem conseguisse conter os soluços e as lágrimas.
Quinta-feira, o Lava-pés e a Missa da Instituição
da Eucaristia foi uma bênção, todos se emocionaram
ao lembrar que, quem verdadeiramente ama, se coloca a serviço
dos irmãos, como Jesus: " Se, portanto, eu, o Mestre e
o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar os pés
uns dos outros". Jo 13, 14.
A Vigília do Horto, com 18 horas de duração,
recebeu intensa presença de fiéis, que se prostraram
aos pés de Jesus.
Sexta-feira da Paixão do Senhor, mesmo com a chuva, que caía
como torneiras abertas, não impediu o nosso povo de participar
da cerimônia, onde recordamos o sofrimento e a morte de Nosso
Senhor para a salvação da humanidade. O Loretão
estava repleto. Também foi surpreendente a procissão
do Senhor Morto pelas nossas ruas. A chuva caía e o povo não
arredava pé, cantando e rezando. Era a certeza da ressurreição
que viria.
Sábado Santo Vigília Pascal, vendo aquela multidão,
confesso que fiquei nervoso, mesmo já tendo vivido este momento
no ano passado. Mas neste ano foi peculiar, não dá para
explicar, pois eu já participei com grandes multidões,
em outros lugares, como no Vaticano. Mas lá são pessoas
de todos os lugares, aqui não, éramos todos de uma só
comunidade. Para mim, isto é que torna esta paróquia
sem igual, sobretudo, porque todo o planejamento foi como uma gravidez,
preparada minuciosamente pelas equipes de liturgia e a coordenadora
geral da comunidade.
Domingo de Páscoa, foi uma "maratona" de missas,
todas repletas de fiéis, sedentos do amor do Senhor.
As nossa Capelas: Rio das Pedras, segundo Pe. Arthur, também
não perdeu para o Loretão, muita gente e muita emoção.
No Sertão, Pe. Fernando e nosso futuro diácono Nelson
ficaram emocionados pelas maravilhas que presenciaram.
Diante de tudo isso que me resta dizer? Que Deus seja louvado sempre
pela nossa comunidade. Que o Senhor Ressuscitado os abençoe
e os conduza ao encontro dos irmãos necessitados.
Pe. Francisco de Assis Maria Leite CRSP |